A mitologia grega volta e meia ressuscita no cinema de entretenimento e o último ciclo inclui Confronto de Titãs (2010) e a sua sequela, Fúria de Titãs (2012), para além de “Os Imortais” (2011). No mesmo ano do filme de Louis Leterrier apareceu o primeiro desta franquia, Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo.
O inventor desta série literária, voltada para um público mais infantil que as outras obras citadas, o escritor Rick Riordan, já enfrentou muitas acusações de plágio devido a semelhanças com “Harry Potter“. No cinema, Percy Jackson saiu primeiro que Confronto de Titãs, mas este era um remake de um filme de 1981, e não deixa de ser curioso que vá buscar os mesmos heróis, vilões e obstáculos dentro de uma vasta obra clássica. Isso tudo serve como metáfora para dizer que se trata de um cinema onde o alcance da fantasia visual não é acompanhado por um trabalho verdadeiramente imaginativo dos escritores.
Neste segundo filme o semideus filho de Poseidon e, portanto, com poderes sobre a água, Percy Jackson (Logan Lerman), volta ao acampamento de jovens, quer dizer, colónia. Aparentemente, os grandes feitos do filme anterior, onde recuperou o raio de Zeus que havia sido roubado, não o conseguem demover de uma baixa autoestima olímpica. Aqui encontra-se mais uma vez ele torturado a propósito de suas capacidades para salvar o mundo. Talvez a sua estranha relação com as meninas seja a explicação: depois de conquistar a amizade (e mais rigorosamente nada) da sua antiga rival Annabeth (Alexandra Daddario), eis que aparece outra miúda, Clarisse (Leven Rambin), para lhe dar porrada!
Ainda bem que surge uma nova ameaça para distraí-la quando a força invisível que protege a colónia é ameaçada. Então Percy, Annabeth e seus amigos, que inclui novamente o sátiro Grover e as suas péssimas piadas (Brandon T. Jackson, um sujeito com patas de bode…) e um meio-irmão do protagonista, Tyson (Douglas Smith), tem de ir ao “mar dos monstros” buscar um pano (o toseu) para dar vida à árvore que Zeus plantou sobre um cadáver em frente ao agrupamento…
Estes são os primeiros minutos de uma estranha história que, a cativar os mais novos, será pelos efeitos visuais – estes sim, impressionantes. Parece já não haver limites para o que se pode fazer no cinema neste aspeto – embora aqui a tal falta de inventividade do argumento derive em criaturas de gosto duvidoso (inclusivamente um protagonista ciclope) e situações bastante bizarras. Numa delas os heróis vão parar ao estômago de um monstro qualquer mas, em vez de uma fuga ao estilo de Pinóquio e Gepetto, alguém sugere que eles devem sair… pelos intestinos! Felizmente, o espetador vai encontra-los depois em alto-mar e bem limpinhos.
Tal como o primeiro, que ainda assim tinha algum interesse, este filme tem a “qualidade” de, após o espalhafato visual e sonoro, desaparecer suavemente da mente do espetador, sem deixar vestígios.
O Melhor: os efeitos visuais
O Pior: a história paupérrima

Roni Nunes

