A doença liberal que está a destruir a Europa também chegou à Bretanha, região do Noroeste francês cujas populações atuais herdaram dos seus ancestrais vikings e bretões o estereótipo de bravos resistentes. É numa pequena cidade da região que um grupo decide lutar contra o capitalismo selvagem e os administradores da grande cidade que querem fechar a maternidade do hospital local.
É lá que vai parar a diretora de recursos humanos Catherine Levebre (Catherine Frot). A sua missão: coordenar o encerramento da seção deficitária do hospital. Por pura casualidade, acaba por se unir ao clube de bowling da cidade, formado, justamente, por três integrantes daquele setor: a mandona Mathilde (Mathilde Seigner), a extrovertida Louise (Laurence Arné) e a antilhana Firmine (Firmine Richard).
Depois de explorar uns instantes o conflito campo/cidade através de algumas piadas espirituosas, o filme avança para aquilo que é o seu foco: a luta das três mulheres a liderar a comunidade local nos protestos e os conflitos interiores de Catherine, entre o dever e a amizade. E, muito importante, tudo acontece enquanto elas ainda disputam a liga de bowling da Bretanha.
Embora nunca chegue a dar náuseas, o desenvolvimento do enredo é demasiado atabalhoado e a vasta utilização de clichés hollywoodianos (especialmente no final) impede o filme de se sobressair no meio do maralhal das comédias francesas ruins que se têm despejado em Portugal – enquanto todo o cinema de qualidade do país fica restrito a uns lançamentos esporádicos. Para piorar, ainda há o milionésimo uso de “It’s Raining Men” para simbolizar momentos de efusividade – música que deveria ser banida do cinema.
De qualquer forma, sobressai, em relação ao entretenimento bruto dos filmes norte-americanos que tenta imitar, o sentido social e a mensagem de resistência que mesmo o cinema francês mais banal ostenta. Pena que neste caso a qualidade do projeto se resuma a isto.
O Melhor: o tema relevante
O Pior: os clichés ao estilo Hollywood

Roni Nunes

