«The Oranges» ( A vida em Oranges) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

The Oranges é uma produção independente datada de 2011 que junta como cabeças de cartaz dois nomes ligados (e à altura ainda mais) à televisão: Hugh Laurie, que dificilmente deixará de ser visto como o Dr House, e Leighton Meester, a Blair de Gossip Girl, que continua a tentar encontrar o seu lugar ao sol no meio cinematográfico.

Allison Janney e Oliver Platt, veteranos da series West Wing (Os Homens do Presidente), e até Adam Brody de The OC, num papel tão sensaborão como absolutamente desnecessário ao filme, também dão um ar da sua graça. Para além disso, na realização está Julian Farino, experiente realizador de televisão, sobretudo em episódios da série Entourage.

Se começo por ressalvar a proximidade televisiva deste produto cinematográfico é porque de uma maneira geral tudo em The Oranges acaba por se aproximar mais de um telefilme, do que um filme para o grande ecrã.

Ou seja, The Oranges é um produto processado com alguma competência e experiência, mas sem qualquer profundidade sobre os assuntos que aborda e que em última instância procura a definição de felicidade. Na realidade todos parecem claramente preocupados em não ultrapassar a hora e meia de duração e maçar o espectador. Aliás, mantendo o tom em todo o filme, The Oranges carece de momentos de catarse como de pão para a boca, parecendo pouco credível que todos sejam tão civilizados e compostos perante a situação que vivem.

O filme apresenta-nos dois casais de meia-idade, os Ostroff e os Walling, vistos pelos olhos de Vanessa, filha dos Walling, uma jovem demasiado conformada com o marasmo em que vive para ambicionar sequer sair debaixo da proteção paterna.

Os Ostroff também têm uma filha, chamada Nina, com um carácter impulsivo e aventureiro, completamente oposto a Vanessa. Quando após longa ausência Nina Ostroff regressa finalmente a casa dos pais, começa um romance com David Walling (Hugh Laurie), acabando mais este impulso por mudar em definitivo a vida de ambos os casais.

Embora Laurie e Meester tenham um desempenho q.b. muito em linha com tudo no filme, há alguma falta de química neste improvável casal, acabando por serem os secundários  – Oliver Platt (como Terry pai de Nina), Alisson Janey (como Cathy mãe de Nina), e Catherine Keener (Paige, esposa de David) – a conseguirem levar o barco adiante, mesmo com muitos altos e baixos.

Por isso, The Oranges é um filme seguro, um pouco insípido e que serve como hora e meia de entretenimento, mas pouco mais.

O melhor: O momento de loucura de Paige.
O pior: A preocupação em fazê-lo tão seguro acaba por torná-lo desinteressante.


Carla Calheiros

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