Os primeiros minutos de Fogo contra Fogo fazem desde logo temer o pior. Um bombeiro arrisca-se num incêndio para salvar uma caixa de uísque e impressionar uma miúda. São nestes escassos segundos que se estabelece o tom de Jeremy Coleman (Josh Duhamel), um bombeiro boa onda, mas adverso a compromissos. Se daqui poderíamos partir para uma qualquer comédia romântica, a verdade é que também podemos partir para um melodrama de ação.
Coleman assiste a uma execução levada a cabo por uma líder criminoso chamado Hagan (o quase irreconhecível Vicent d’Onofrio), e quando aceita testemunhar contra ele, ingressa no programa de proteção de testemunhas. Como não poderia deixar de ser, o charme do bombeiro acaba por encantar a Marshall Talia Durham (Rosario Dawson), encarregue da sua segurança. Após uma tentativa de assassinato da testemunha que acaba por atingir a Marshall, Coleman foge ao programa de testemunhas e acaba por ir caçar o vilão por sua conta e risco.
A partir daqui, Fogo contra Fogo acaba por se transformar num filme de ação muito morno e genérico que não consegue escapar aos clichés do género e onde o bom rapaz acaba por fazer coisas tão abomináveis como o seu antagonista, mas sempre por uma causa maior – o amor. Outra questão sofrível é a terrível falta de química entre Dawson e Duhamel, ao que também não é alheio o facto de o elemento romântico ter sido inserido à pressa e com o propósito único de iniciar a cruzada de vingança.
Fogo contra Fogo é o mais recente filme da Cheetah Vision, a produtora de 50 Cent, que desta vez cede o protagonismo a Duhamel, e se limita a um pequeno papel secundário. Mais uma vez, o filme falhou uma estreia nos cinemas norte americanos, saindo diretamente para o mercado de vídeo. A presença de Bruce Willis parece ser o chamariz mas desenganem-se os fãs, pois o eterno John McClane tem um papel muito inócuo e secundário.
Por isso, Fogo contra Fogo não fuge muito ao que esperamos dele. É mais um inofensivo filme de ação, com quase nenhum cérebro, e que acaba por entreter durante hora e meia, mas que se esquece com a mesma ligeireza com que se vê.
O melhor: Mesmo com as desnecessárias tatuagens arianas Vicent d’Onofrio.
O pior: o desperdício de atores como Bruce Willis e Rosário Dawson.

Carla Calheiros

