«Playing for Keeps» (Fintar o Amor) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Após alguns sucessos no seu país, o realizador italiano Gabriele Muccino acabaria por conquistar Hollywood com “Em busca da felicidade”, um emocional retrato da luta pela sobrevivência de um pai e um filho. O filme protagonizado por Will Smith e pelo seu filho Jaden, acabaria por levar vastas plateias às lágrimas, e Smith à nomeação ao Oscar.

Nesta sua terceira incursão pelo cinema americano, Muccino perde não só Will Smith, como o tom mais vocacionado para o dramatismo de obras anteriores. Aqui reside o primeiro problema de “Fintar o Amor”, na tentativa de realizar algo diferente, mais leve do que os trabalhos anteriores, mas mantendo fiel o tema da redenção, Muccino acaba por realizar um obra confusa, superficial e que acaba por não convencer em nenhum dos aspetos que aborda.

O filme segue George Dryer (Gerard Butler), uma antiga glória do futebol caída em desgraça por uma lesão que agora tenta recuperar a dignidade, e sobretudo a ligação com o filho Lewis. Dryer começa a treinar a equipa de futebol do filho e a partir daqui em vez do cimentar das relações pai e filho, nasce um novo “plot” no argumento, quando o antigo futebolista se torna o alvo amoroso de um grupo de “Soccer Moms” sedentas de atenção. A ideia era dar ao filme uma leveza e tom cómico, mas ao invés as investidas amorosas das mães acabam por desviar Dryer, e o filme, do seu real propósito. Realmente, a partir daqui tudo se mistura de forma pouco consistente, pois a vertente cómica é fraca e a vertente dramática apresenta-se tão superficial como os seus personagens.

Uma Thurman e Catherine Zeta Jones desempenham papéis completamente inócuos e vazios de conteúdo que em nada se coadunam com o seu estatuto de estrelas, ao passo que Dennis Quaid, ao tentar ser o escape cómico, acaba por cair no ridículo.

Por isso, “Fintar o Amor” não foge a nenhum dos clichés do género, sendo que os seus mais de 100 minutos de duração se revelam longuíssimos face ao que realmente nos conta. Recomendado a fãs de Gerard Butler, que não estejam fartos de “comédias” românticas completamente recheadas de clichés.

O melhor: O esforço de Jessica Biel.
O pior: O mais completo desperdício de talento.


Carla Calheiros

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