«Et si on vivait tous ensemble?» (E se Vivêssemos Todos Juntos?) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

O cinema começa agora a reencontrar um “novo” nicho: a terceira idade. Talvez fruto do envelhecimento da população mundial, ou do aumento da esperança média de vida, o cinema começa a apresentar histórias que trazem algo inevitável a todos, os últimos anos de vida. No ano passado chegaram aos cinemas dois retratos absolutamente opostos: o dilacerante “Amor” de Michael Haneke, que abordava sobretudo a vivência de um casal bastante isolado perante a enfermidade, e o mais leve e jovial “Hotel Marigold”, cuja mensagem era sobretudo positiva e insistia que nunca é tarde para ser feliz.  
 
No meio destas duas linhas surge “E se vivêssemos todos juntos?”, obra que acompanha um grupo de cinco amigos que começa a sofrer as maleitas da idade. Embora para alguns o fim esteja realmente próximo, eles acabam por embarcar num projeto “arrojado”, o de viverem junto em comunidade, na casa de um dos casais. 
 
Desde muito cedo que o filme estabelece o tom de cada um dos seus personagens. Jean (Guy Bedos) é o revoltado do grupo, embora se perceba pouco com o quê. Annie (Geraldine Chaplin) é a sua esposa e o seu objetivo de vida é conviver com os netos, nem que para isso sacrifique a sua horta para construir uma piscina. Já Albert (Pierre Richard) convive com uma crescente falta de memória, que o leva a ir recordando as coisas pelas anotações que toma nos seus cadernos, é casado com Jeanne (Jane Fonda), uma otimista por natureza que começa a preparar a sua “partida”. Completa o grupo Claude (Claude Rich), um fotografo bom vivant que se recusa a aceitar o envelhecimento do coração e de outras partes do corpo. Pelo meio junta-se à comunidade o jovem Dirk (Daniel Brühl), um etnólogo que estuda o comportamento dos idosos, que acaba por sair do seu papel de observador, e começar ele mesmo a cuidar e ajudar o grupo.
 
 Embora trate dos temas de forma ligeira, “E se vivêssemos todos juntos?” nunca perde o tom de filme sobre temáticas sérias e por vezes incomodativas como o abandono a que são vetados os idosos. A diferença é que consegue trazer alguma jovialidade e cenas francamente divertidas. 
Mais do que da sua história, o filme vive sobretudo da interação entre os atores, que conseguem manter sempre o interesse, mesmo quando o ritmo abranda. Realizado por Stéphane Robelin, o filme não resolve, nem tenta, o problema dos idosos sozinhos, mas consegue trazer uma visão rejuvenescida a temáticas mais amargas. 
 
O melhor: O trabalho dos atores.
O pior: A entrada em cena de Dirk é algo forçada.
 
 
 Carla Calheiros
 

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