«Welcome to the Rileys» (Corações Perdidos) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

A força de vontade para seguir em frente pode estar onde menos se espera. Este podia muito bem ser a mensagem final de “Corações Perdidos”,  um drama familiar sobre um casal destruído por uma tragédia, que vive um longo, silencioso e sufocante período de luto. Os Riley são Doug (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo), casados há 30 anos, e embora a sua convivência possa parecer pacífica, é notório desde o primeiro instante que há ali bastante recalcamento. Depois de mais um golpe inesperado da vida, Doug vai a Nova Orleães numa viagem de trabalho. É lá que acaba por se conetar com “Mallory” (Kristen Stewart), uma jovem stripper por quem sente um estranho e inusitado apego paternal. 
 
No seu todo, “Corações Perdidos” acaba por ser um filme algo desequilibrado. O argumento parte de uma premissa interessante e mediante o rumo que a história toma, tem lógica que os três personagens sejam o centro de tudo. Mas o seu problema maior é que o argumento de Kevin Hixon  e sobretudo a qualidade dos diálogos,  que não conseguem dar ao filme a profundidade dramática esperada. 
 
Aqui começa o trabalho meritório dos atores. James Gandolfini é por si só um valor seguro, aqui  é duro, mas ao mesmo tempo sentimentalista e gentil, uma imagem mais “Tony Soprano” do que outros trabalhos recentes, que não deixa por isso de ser convincente. Outro valor seguro é Melissa Leo, ela é a mãe sofrida, possivelmente o coração mais perdido do trio, e que acaba por conseguir ser tão forte a contracenar, como quando está em cena sozinha. 
 
Kristen Stewart acaba por ser o caso mais paradigmático. Stewart será eternamente conetada com Bella Swan e obviamente tem uma legião de fãs graças ao desempenho na saga “Twilight”, mas tem igualmente uma legião de anti-fãs que a acusam sobretudo de antipatia, e claro, do pecado mortal de adultério ao ídolo Robert Pattinson. Este projeto acaba igualmente por ser um desafio para Stewart, pois não só mostra que pretende afastar-se de Bela, como escolhe um personagem oposta e que poderá chocar os seus mais acérrimos defensores. Mesmo com um esforço louvável, “Mallory” acaba aqui por ser a personagem menos trabalhada e desenvolvida da história, acabando por cair demasiado em “clichés” e maneirismos. 
 
O filme é praticamente todo centrado em Nova Orleães, e a cidade entre o clássico, o moderno, e o bairro decadente, acaba por si só por ser um elemento essencial da história. O filme é realizado por Jake Scott (filho de Ridley Scott), que havia assinado a sua primeira longa-metragem em 1999, e que regressa agora (o ano de produção do filme é 2010), após um interregno mais dedicado a vídeos e documentários musicais. E talvez o maior pecado de Scott nesta obra tenha sido que  se centre nos diálogos e argumento de Hixon, que acabam por se revelar o elo mais fraco. 
 
Como tal, “Corações Perdidos” acaba por ser um drama morno, com desempenhos que podiam ser ainda melhores se servidos por um argumento mais convincente, e com uma maior desenvolvimento das personagens. Mesmo assim, acaba por merecer uma olhadela sobretudo pelo trabalho dos atores. 
 
O melhor: Melissa Leo
O pior: Falta-lhe força sobretudo nos diálogos.
 
 
 Carla Calheiros
 

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