Começo por dizer que sou fã de filmes de máfia e de gangsters e que aprecio sobretudo a história da ascensão ao poder dos ditos “reis do crime”. Infelizmente “Brigada Anti-Crime” pouco ou nada aflora na ascensão ao poder de Mickey Cohen, um antigo pugilista que chegou ao topo da hierarquia criminal na cidade de Los Angeles. O filme baseia-se no livro “Tales of a Gangster Squad”, de Paul Lieberman, e como o próprio nome indica, baseia-se sobretudo na perspetiva da equipa de elite que foi formada para perseguir Mickey.
A estreia do filme acabou por ser atrasada em alguns meses após o tiroteio de Aurora, aquando da estreia de “O Cavaleiro das Trevas Renasce”. A verdade é que o filme tinha uma cena de tiroteio num cinema e, para que não fossem feridas susceptibilidades, acabariam por ser executadas novas filmagens. Embora este nunca seja um bom presságio, não é por aí que “Força Anti-Crime” não entra no restrito lote de filmes inesquecíveis sobre organizações mafiosas. Mas vamos à história. Mickey Cohen domina Los Angeles com pulso de ferro tendo entre o seu rol de pagamentos polícias e juízes. Nada parece deitar Cohen abaixo exceto a perseverança do incorrutível comissário da polícia Bill Parker (Nick Nolte). Para isso, Parker chama o sargento O’Hara (interpretado por Josh Brolin), um polícia honesto e com o sentido de dever intato, e propõe-lhe que reúna uma equipa de elite, que estes esqueçam os distintivos e façam o que for preciso para acabar com o reinado de Cohen.
A ideia de criar uma “máfia” policial para acabar com a máfia é realmente uma das mais interessantes do filme. A partir daqui temos exatamente o que podemos esperar, uma enxurrada de ação e tiros. O dilema moral das suas ações, como homens da lei, acaba por partir o génio da tecnologia, interpretado por Giovanni Ribisi, que questiona os meios para atingir os fins. Sinceramente, a introdução do tema da moralidade acaba por fazer pouco sentido, isto porque após uns “amassos” mais “meigos”, a brigada acaba por esquecê-la, e voltar à velha forma.
Numa das suas primeiras aparições em cena, Mickey Cohen, um Sean Penn de cara bastante inchada, ameaça um “funcionário”. O rosto enfurecido e o chapéu preto dão-lhe uma aura maligna quase na linha de Freddy Krueger. Bastava esta cena para marcar o tom de escroque da pior espécie, mas a verdade é que Penn acaba por arrancar um desempenho convincente em todo o filme. O restante elenco, embora menos brilhante, é igualmente eficaz, Josh Brolin no seu registo de homem de poucas palavras é seguro e credível e Ryan Gosling é eficaz como o galã de serviço. Mesmo assim, quem acaba por surpreender é Robert Patrick, numa espécie de Ranger do Texas de gatilho rápido que é de longe o mais interessante dos secundários.
O realizador Ruben Fleischer enfrenta aqui o seu mais duro desafio até à data. Tendo começado em anúncios e videoclipes, Fleischer havia apenas realizado dois filmes: os leves “Zombieland” e “30 minutes or less”. Nesta sua nova faceta, e no que toca ao estilo, Fleisher não deixa os seus créditos por mãos alheias. A recriação de Los Angeles da altura é competente e cuidada, transformando “Força Anti-Crime” num filme visualmente prodigioso. Ainda assim, este estilo e as interpretações competentes não conseguem suprimir o seu principal problema: a falta de densidade da história. No meio de tantos tiros, as personagens acabam por não ser muito desenvolvidas. Depois há o dilema moral, inserido quase que extemporaneamente a meio do filme (e esquecido com a mesma facilidade), e há ainda a parca exploração do sentimento de dever trazido da guerra, que mais facilmente ajudaria a explicar as ações dos intervenientes.
Por isso, e embora proporcione um entretenimento competente, «Força Anti-Crime» não entrará no Olimpo de filmes sobre gansters e mafiosos. Quanto mais não seja pela falta da catch phrase obrigatória nos maiores filmes do género.
O melhor: Cinematografia e direção artística
O pior: A história tem pouca densidade.
| Carla Calheiros |

