Mesmo com mais de 40 anos de idade, e visivelmente mais anafado do que noutros tempos, Brendan Fraser ainda não desistiu de participar em comédias nada lisonjeiras que pouco mais fazem do que mostrá-lo em tristes figuras. Aqui, Fraser é Dan Sanders, um promotor imobiliário que acredita que trabalha para uma empresa de construção ecológica, que vai melhorar a vida florestal deitando árvores abaixo e construindo casas. Pois!
Ora, os animais que habitam a floresta não estão pelos ajustes e começam um brutal plano de tortura contra Dan. Infelizmente, não há muito mais a dizer sobre a história, criada como mero acessório para pôr Dan em situações embaraçosas, quase sempre com direito a fluidos que supostamente nos vão arrancar gargalhadas, ou então não.
Ao lado de Brendan Fraser aparece aqui Brooke Shields como Tammy, uma espécie de esposa troféu com um papel meramente acessório. Quem também anda por ali é Ken Jeong, o hilariante Mr. Chow de “A Ressaca”, mas que aqui entre supostos gritos “asiáticos” e o papel de vilão, pouco ou nada mostra da sua veia cómica.
Geralmente não tenho quaisquer problemas com filmes com histórias demasiado infantis, desde que no final as crianças possam receber uma mensagem positiva e interessante. E, a verdade é que muitos dos supostos filmes para crianças agradam, e de que maneira, aos adultos. Porém, aqui a mensagem foi completamente esquecida e no final a moral da história é “sê amigo do ambiente ou os animais vingam-se”.
Por isso, “A Bicharada contra-ataca” é um filme direcionado para um faixa de público restrita que não deverá fugir aos 5 a 7 anos de idade, capaz de desculpar os efeitos por vezes rudimentares, e que possivelmente vai gostar bastante do número musical final. Para os restantes, “A Bichara contra-ataca” é uma candidata a um dos piores filmes estreados este ano.
O melhor: A evocação Braveheart para motivação da bicharada.
O pior: Tudo o resto.
| Carla Calheiros |

