Barbara é uma jovem médica que começa a prestar serviço num pequeno hospital do interior em finais dos anos 70. Está notoriamente contrariada com essa situação e acarreta em si uma enorme capa de mistério e frieza, inclusivamente para com o espectador, que leva algum tempo a perceber as reais motivações da médica.
Curiosamente, Barbara contrapõe a enorme frieza com que lida com os outros socialmente e profissionalmente, com um forte apego aos pacientes, sobretudo aos casos mais problemáticos. Paralelamente a isto, a médica torna-se alvo da atenção do jovem diretor do hospital, mas tal como em todos os passos da vida, é cautelosa não conseguindo nem ela, nem nós, entender se o interesse é real, ou meramente espionagem para o regime.
Num ritmo lento mas envolvente, o realizador Christian Petzold acaba por responder a todas as questões sobre o que realmente se passa com Barbara. Ostracizada pelo regime, obrigada à recolha no interior, e constantemente alvo da desconfiança de vizinhos e agente que trabalham para o Governo da Alemanha de Leste.
Uma das maiores curiosidades sobre “Barbara” é a sensação de que estamos perante um filme altamente político, mas nada politizado, e onde a opressão, embora subentendida é tão asfixiante para nós como para a desconfiada Barbara. Sem cair em clichés, e sem ter quaisquer momentos catárticos, “Barbara” acaba por ser uma obra inteligente, mas tão contida com a revolta muda da sua protagonista brilhantemente interpretada por Nina Hoss, que colabora frequentemente com Christian Petzold.
Um drama diferente do habitual que se apresenta como mais uma boa proposta do cinema alemão atual. A ver! 7/10
O melhor: A forma inteligente como o drama evolui.
O pior: A dificuldade de conexão emocional com os personagens.
| Carla Calheiros |

