«Manolete» (Sangue e Paixão) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Porque é que um realizador holandês escolhe um americano para protagonizar um filme sobre a vida de um matador espanhol, falado em inglês? Obviamente pelas semelhanças física entre o ator e o biografado. Concluído desde 2008, “Manolete” não tem conseguido quebrar o “enguiço” associado ao seu doloroso processo de pós-produção e chegada às salas, o que levou inclusive a que a sua estreia em Espanha fosse embargada judicialmente. “Manolete” acabaria por chegar às salas espanholas em 2012, onde passaria discretamente não fosse o arraso da crítica e os protestos do movimento anti-touradas.  
 
O filme acompanha retalhos da vida de Manuel Laureano Rodríguez Sánchez, matador de touros tratado carinhosamente por Manolete. Conhecido pela sua precisão sobretudo no momento da morte do touro, Manolete foi rapidamente consagrado a herói de uma pátria ainda ferida pelos resquícios da Guerra Civil Espanhola. 
 
Um dos primeiros pecados de Menno Meyjes é estar ciente de que todos os espectadores estão familiarizados com a história de Espanha e que entendem a forma como os matadores de touros são glorificados naquela época, sem qualquer contextualização. Obviamente que para uma audiência mais vasta isso será o primeiro ponto de desconfiança. 
 
Além disso, mais do que contar a ascensão e morte do mito de Manolete, Mevjes faz apenas uma compilação de episódios na sua conturbada relação com Lupe Sino (interpretada por Penelope Cruz), cuja paixão devastadora acabaria por trazer a fatalidade à vida do matador. 
 
Brody acaba por ser apanhado no turbilhão de “Manolete”, uma obra que certamente entrará na linha dos seus maiores embaraços, sobretudo para um ator já galardoado pela Academia (venceu em 2003 por «O Pianista»), pese embora a sua carreira pós-Oscar tenha sido de uma forma geral muito pouco expressiva. Mais do que encarnar “Manolete”, Adrien Brody parece meio perdido em cena, rodeado de pessoas pouco fluentes em inglês, como que a antever o que viria dali para a frente. 
 
De uma forma geral, “Manolete” foi um equívoco talhado para um mercado internacional, como o protagonista assim o impunha, mas que falhou rotundamente inclusive em agradar ao mercado espanhol. Como ponto positivo acaba por ficar a cinematografia, com algum empenho na recriação do ambiente da Andaluzia de finais de 40, mas muito pouco para salvar tudo o resto
 
O melhor: A cinematografia.
O pior: Não fazer o mínimo esforço para enquadrar o filme historicamente.
 
 
 
 Carla Calheiros

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