A espanhola Icíar Bollaín, responsável entre outros pelo tocante drama “Te doy mis ojos “ aposta num género totalmente diferente e de meios mais ambiciosos para o seu novo trabalho. Saindo do intimismo de trabalhos anteriores, a realizadora, com base num argumento de Paul Laverty, cruza realidade e ficção utilizando o cinema como meio de contar a história dentro da história.
Um produtor e um realizador elegem a selva boliviana para filmar a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo. Embora longe de Santo Domingo, Cochabamba na Bolívia oferece os mesmos recursos com um preço francamente mais acessível. No meio disto tudo, a equipa acaba por ser apanhada numa revolta popular contra uma multinacional que vai privar o local de um bem essencial, a água.
Enquanto vão filmando as explorações de Colombo aos Índios, estes novos colonizadores começam a dividir-se entre o auxílio à população oprimida, e os interesses mais elevados, pouparem orçamento e sobretudo terminarem o filme.
Assente no desempenho seguro dos atores, onde se destaca Luis Tosar, o filme acaba por se dividir em duas partes distintas e de resultados diferentes. Se na primeira parte tudo é mais documental, e a metalinguagem cinematográfica consegue sobrepor-se, na segunda parte tudo acaba por ser mais emocional, com um esperado epílogo dramático onde as emoções pessoais acabam por levar a melhor. O resultado acaba por seu um produto final algo desequilibrado, com clara vantagem para a primeira parte.
Mesmo assim, no seu tudo “También la lluvia” tem o mérito de chamar a atenção um problema real, e global, encerrando em si a ironia de que dos Descobrimentos para os dias de hoje as coisas não mudaram assim tanto.
O Melhor: Luis Tosar
O Pior: Perder a perspetiva documental a meio do filme.
| Carla Calheiros |

