«Resident Evil: Retribution» (Resident Evil: Retaliação) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

 

 
Independentemente da qualidade dos filmes que apresenta, a franquia “Resident Evil” tem em si um mérito inquestionável, o de ser a única saga de sucesso baseada num videojogo. Há uma década e cinco filmes que seguimos as peripécias de Alice (Milla Jovovich) contra zombies, e conspirações corporativas da temível Umbrella. 
 
Para além de Milla Jovovich, o percurso cinematográfico de “Resident Evil” ficará também muito ligado a Paul W.S. Anderson, para além de marido da protagonista, é igualmente argumentista e produtor dos cinco filmes, bem como realizador da estreia. Anderson entregou a cadeira de realização no segundo e terceiro filme, mas os resultados desastrosos acabaram por fazê-lo voltar ao papel de faz-tudo no quarto filme, e agora nesta quinta parte da saga. 
 
Mas falemos de “Resident Evil:Retaliação”. O filme começa imediatamente após os acontecimentos finais do quarto filme, e vemos Alice, mais uma vez nas mãos da Umbrella. Mesmo assim, e para que ninguém se sinta perdido, Paul W.S. Anderson brinda-nos com uma recapitulação dos filmes anteriores, logo a abrir. 
 
“Retaliação” corre mesmo o risco de ser o mais ostracizado filme da saga por alguns. A razão é simples, este é não um filme por si só, mas mais um preliminar daquele que se antevê o mais sangrento e, quem sabe, último combate da franquia – o sexto. Mesmo assim, talvez consiga, como nunca, cativar os fãs mais puristas do videojogo pois, na realidade, em “Retaliação” acabamos por ir saltando de cenário em cenário, como se estivéssemos realmente perante a mudança de nível de um jogo.
 
Embora ninguém espere de Anderson uma escrita Shakespeariana, a verdade é que embarca num argumento bastante preguiçoso, que recria o primeiro filme: Alice está presa e quer fugir de uma instalação da Umbrella. Além disso, acaba por ser igualmente uma “desculpa” para reunir personagens que entretanto se foram perdendo ao longo da saga. E trazer novos, como o momento bastante “Aliens” em que uma criança perdida no meio do horror “adota” Alice como mãe.
 
Por isso, Paul W.S. Anderson não estica a corda para fora da sua zona de conforto: há bons combates e muita ação frenética, mas que não chegam para disfarçam que os acontecimentos de “Retaliação” poderiam muito bem ser a introdução do próximo filme. Quem vê habitualmente os filmes da saga não sairá defraudado por este filme, também recomendável a fãs de ação. Para os restantes não será o produto mais sedutor em cartaz. 
 
 
O Melhor: Talvez o próximo seja apoteótico. 
O Pior: A sensação de estar perante um remake do primeiro filme, mas com inferior qualidade.
 
 Carla Calheiros

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