O que inicialmente parecia estar condenado a ser apenas mais um produto de qualidade duvidosa acabaria por ser revelar num dos mais deliciosos “guilty pleasures” dos últimos anos. Falo claro de “Piranha 3D”, remake do filme homónimo assinado por Joe Dante em 1978 que acabaria por trazer os “simpáticos” carnívoros para a ribalta.
O filme tinha ao leme Alexandre Aja, jovem realizador em ascensão que acabaria por ter um trabalho meritório no filme. Dotado de sentido de humor, e com algumas vedetas dos anos 70 e 80, onde não faltavam a Richard Dreyfuss numa piscadela de olho a “O Tubarão”, e Christopher Lloyd na incontornável figura do professor maluco. “Piranha 3D” acabaria por ter uma carreira muito interessante para o seu modesto orçamento, e isso ditou a inevitável sequela.
Infelizmente, do seu antecessor pouco mais ficou do que o nome, e “Piranha XXL” acabou por se revelar uma fraquíssima continuação. Perde-se todo o sentido de humor latente no filme e até o carisma dos seus personagens, que tanto ajudaram ao sucesso do primeiro filme. Ao comando aparece agora John Gulager, conhecido apenas pela realização de “Feast”, que acaba por não dar qualquer cunho à obra e faz certamente que todos tivessem suspirado para que Aja tivesse assinado a sequela.
Desta vez as piranhas mudam-se para uma nova zona de lagos, e de um parque aquático, o resto é uma mera desculpa para meninas em biquíni, e sem ele, e muito muito sangue. Tudo isto claro no último terço do filme, que passa grande dos seus 80 minutos a preparar o “apocalipse” que se avizinha.
O maior problema do filme, é que nada parece ter sido feito com outro propósito que não seja humor rudimentar e no limiar e bom gosto, e claro jovens de corpos desnudados. No meio disto tudo, acaba por aparecer David Hasselhoff fardado de Mitch Buchannon e cuja frase “Welcome to rock bottom” lhe assenta que nem uma luva -dentro e fora do ecrã.
Embora o final clame novamente pela terceira parte da saga das piranhas, a verdade é que os resultados de bilheteira acabaram por ser tão desastrosos (menos de um milhão de dólares nos Estados Unidos), que vão certamente passar alguns anos até que as piranhas vejam a luz do dia novamente.
O melhor: Hasselhoff como vedeta irascível, o cameo de Ving Rhames
O pior: Tanta preparação acabaria por merecer um final bem mais memorável.
| Carla Calheiros |

