Geralmente os filmes sobre assassinos envolvem diversos suspeitos, muita ação e algumas reviravoltas surpreendentes. Em “O Silêncio” tudo está claro desde o início quando, no meio de um idílico campo, um pedófilo viola e mata uma criança. Vinte e três anos depois o crime parece ter-se repetido exatamente no mesmo local e isso despertará diversas reações nos intervenientes, quer do primeiro, quer do segundo caso.
Cruzam-se dois polícias, um já reformado que nunca desistiu de solucionar o primeiro caso, e outro mais jovem marcado pela perda da mulher que procura seguir em frente e resolver o segundo. Paralelamente encontramos as famílias das duas jovens, uma mãe que nunca conseguiu seguir em frente, e um casal que agora lida com a incerteza da filha desaparecida.
Pelo meio, há ainda dois pedófilos que outrora foram uma “equipa” mas que hoje vivem em realidade completamente opostas. Aliás, a realidade aparentemente normal de um pedófilo já tinha sido explorada no dilacerante “Michael” de Markus Schleinzer, um retrato frio e subtil sobre a vida de um homem normal com um segredo.
Com uma cinematografia cuidada, “O Silêncio” é um filme que vai caminhando lentamente mas de forma consistente acabando por fazer um equilíbrio quase perfeito entre os cenários ensolarados e campestres, quase mediterrânicos, e a frieza dos espaços mais urbanos alemães.
De uma forma geral os atores são competentes e equilibrados nas suas interpretações, conseguindo que os seus dramas não resvalem para o telenovelesco. Aqui, na sua segunda realização, Baran Bo Odar demonstra solidez para agarrar todo o dramatismo do tema e concretizar uma fita competente e adulta.
Estreado na edição de 2010 do Festival de Locarno é mais um exemplo de filmes que acabam engavetados e que chegam aos cinemas incompreensivelmente atrasados. É pena!
O Melhor: nunca resvalar para o facilitismo
O Pior: Perde-se por vezes na falta de ritmo da edição
| Carla Calheiros |

