«ATM» (ATM – Armadilha Mortal) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Tornou-se evidente nos últimos anos que o cinema consegue criar momentos de tensão cortante em espaços ínfimos. Assim foi pela mão de Joel Schumacher em “Cabine Telefónica”, por David Fincher em “Sala de Pânico”, por James Wan, em “Saw”, e mais recentemente em “O Demónio” de John Erick Dowdle.
 
Há dois anos, este tipo de filmes parece ter ganho um novo e revigorado fôlego com “Enterrado”, em filme em que um ator, um isqueiro e um telemóvel confinados a um caixão conseguiam criam um ambiente cortante em toda a linha. O argumento deste surpreendente filme foi assinado por Chris Sparling, por isso não é de estranhar que o argumentista tenha voltado a apostar no mesmo filão para o seu próximo trabalho, este “ATM – Armadilha Mortal”.
 
O filme começa de uma forma surpreendentemente leve, criando o cenário, mais ou menos credível, para que os três protagonistas acabem confinados numa gélida madrugada a uma pequena e isolada caixa Multibanco. Encurralados por um psicopata sem rosto, os personagens começam a sofrer do extremo desespero que a situação lhes impõe. E a verdade é que durante algum (pouco) tempo, “ATM” cumpre todos os seus propósitos: é tenso, stressante e consegue colar o espectador ao ecrã.
 
Os problemas surgem quando a história começa a emperrar nas suas próprias premissas, acabando sobretudo os personagens por não conseguirem criar uma real empatia que nos ponha a torcer por eles. Além disso, o maior pecado em que este tipo de filmes pode cair é numa espiral de tédio derivada da sua não-ação. Infelizmente, “ATM” acaba por cair nesta armadilha, e o filme  sofre bastante com isso sobretudo na sua segunda parte.
 
Assinado por David Brooks, que aqui apresenta a sua primeira longa-metragem, o filme acaba por desiludir sobretudo no seu epílogo, sobretudo por se acanhar perante o seu potencial. Além disso, o último ato acaba por ser apressado, e a espaços demasiado atabalhoado para que tudo se conjugue da melhor maneira sobretudo para a satisfação do espectador, e provando mais que nem sempre boas ideias conseguem totalizar bons resultados finais. 

O melhor: A premissa inicial
O pior: Os três personagens principais
 
 Carla Calheiros

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