Inicialmente o título poderá remeter-nos para cinema exclusivo para adultos, mas não. “Uma Bela Orgia à Moda Antiga” não é um filme de classificação XXX e mesmo assim deixa bem claro no título a que público se destina: jovens com hormonas em estado de hiperactividade, e alguns “vintões” e “trintões” com o grau de maturidade dos seus protagonistas.
Porém, o título acaba por enganar. Por trás da sua sugestibilidade, o filme acaba por ter um pequeno rasgo de potencial. Aborda a imaturidade da geração dos trinta, a forma como as diferentes opções de vida vão afastando os amigos, e como quer queiramos, quer não, as coisas acabam por mudar. Mas a verdade é que qualquer ideia de desenvolver estas temáticas esbarra na obrigatoriedade de não “complicar” em demasia.
O filme segue Eric (Jason Sudeikis), um trintão que todos os fins-de-semana junta os amigos e dá festas de arromba na casa dos Hamptons. O problema é que o seu pai, numa aparição completamente fogaz de Don Johnson, quer vender a casa, e Eric decide dar uma última e memorável festa, para os mais íntimos. O primeiro desafio é convencer os relutantes amigos a participarem numa orgia, mas a verdade é que todos acabam por aceitar pelas mais diversas, e mesmo incompreensíveis, razões. Paralelamente a isto, e enquanto todas as conversas se centram na festa final, o filme vai desenvolvendo o indispensável interesse romântico entre Eric e Kelly (Leslie Bibb), uma das agentes imobiliárias que lhe pretende vender a casa.
Nem sempre os filmes mais explicitamente sexuais tendem a ser um chorrilho de clichés, recordo o recente “Zack e Miri Fazem Um Porno” de Kevin Smith, uma comédia bastante virada para a sexualidade, com algumas partes a roçarem os limites do bom gosto, mas que mesmo assim conseguia trazer novas e divertidas ideias. Em “Uma Bela Orgia à Moda Antiga” acontece exatamente o oposto. O filme tenta apelar à geração trintona de “American Pie”, mas acaba por ser pouco mais que um deserto de ideias, e perder-se no meio das centenas de filmes sobre o tema.
Por isso, a estreia em cinema de Alex Gregory e Peter Huyck – que assinam argumento e realização – não é nada auspiciosa. Estes dois escritores têm trabalhado quase em exclusivo para televisão, e participaram em projetos tão dispares como a série “Frasier”, “King of the Hill” ou o programa de David Letterman. Contudo, aqui não mostram nada de novo na transição para o cinema. Além disso, falham igualmente em criar personagens com empatia, e que se tornem inesquecíveis para o público, como “American Pie” tão bem o soube fazer. Claro que para isso também contribui o esforço dos atores, na maioria dos casos em piloto automático e sob a liderança de Jason Sudeikis, que compete ombro a ombro com Paul Rudd como os maiores erros de casting da comédia atual.
O Melhor: Consegue ser menos mau do que o seu título faria supor
O Pior: Ideias batidas, atores enfadados….
| Carla Calheiros |

