«The Joneses» (Uma Família com Etiqueta) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Afinal o que é que ambicionamos possuir? É baseado no eterno conceito de que “a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha” que surge “Uma família com etiqueta”, primeiro projeto escrito e realizado por Derrick Borte. Começamos por ver uma família bela e rica que se muda para uma casa de sonho. Tudo perfeito e digno de inveja! 

Mas se aquele parece ser uma das muitas famílias milionárias e disfuncionais que conhecemos, a realidade é que o plano é outro. Os Jones são uma falsa família disfarçada de montra ambulante de produtos de luxo, que tem como único intuito, vender!

A família rapidamente consegue ganhar destaque junto dos novos vizinhos que lhes gabam a beleza, as malas, e as jóias, bem como os carros topo de gama. Abrangendo todos os setores da sociedade, os Jones conquistam miúdos e graúdos.

Com ideias inovadoras, Derrick Borte acerta no que toca à crítica social, mostrando que as pessoas preferem destroçar-se financeiramente do que serem ultrapassadas em “status”. O pior é quando o filme começa a caminha para o epílogo e a resvalar para outros caminhos mais rendidos aos clichés hollywoodescos, que lhe retiram muito do fulgor da primeira parte. Mas é sempre curioso verificar que as famílias, mesmo as falsas, têm sempre esqueletos no armário. 

O núcleo familiar é forte, com David Duchovny a aproximar-se bastante do estilo do seu registo na série “Californication” (ressalvando as devidas diferenças). Já Demi Moore é um valor seguro no papel da mulher de negócios ambiciosa, como já provou em diversos outros filmes como no recente “Margin Call”. Quanto aos filhos, Ben Hollingsworth e Amber Heard, cumprem bem os seus papéis de “filhos objeto”, sendo que mesmo com uma missão estipulada, os adolescentes trazem sempre problemas. 

Certo é que é muito difícil qualificar um filme como este. Entre a sátira social, o conto moral e a comédia romântica, “Uma família com etiqueta” não arrancará grandes gargalhadas mas acaba por se ver com bastante agrado. Uma última nota para a data de estreia deste filme de 2009, que acaba por chegar às salas portuguesas, quase dois anos depois de já estar disponível em DVD…..


O Melhor: A intereção da célula familiar.

O Pior: Derrapa facilmente nos clichés perdendo a sua individualidade. 

 
 Carla Calheiros

 

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