«Les Lyonnais» (Uma História de Gangues) por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Já não há criminosos honrados como antigamente. Esta lição, que nos ficou da série “Os Sopranos”, também serve para ponto de partida para “Uma história de Gangues”, filme baseado em factos verídicos e que pega na génese dos Lyonnais, um conhecido gangue que atormentou a França em finais da década de 60, e que atuou até finais da década de 70.
 
Uma história de Gangues” baseia-se em parte nos escritos de um dos membros do gangue, Edmond Vidal, o homem que conheceu o crime após ser preso durante 63 dias por roubar uma caixa de cerejas. A partir da prisão acaba por nascer a génese do gangue – que nos é mostrado em “flashbacks”.
 
O filme vai encontrar Vidal retirado do crime a gozar os seus anos de velhice e reforma. No entanto, tudo muda com a detenção do seu velho amigo e companheiro de crime Serge. Momom (como é conhecido) tem de voltar “ao ativo” para impedir que o seu amigo morra na prisão.
 
 “Uma história de Gangues” é o quarto filme do realizador Olivier Marchal, responsável pelo aclamado “36 Anti-Corrupção”. Aliás, o realizador tem versado o seu trabalho sobre a temática do crime, e a esse fato não será alheio o fato de ter tido como primeira profissão a de polícia. Após abandonar as autoridade,s como o próprio afirmou, por medo, Marchal acabou por se dedicar à comédia, e à carreira de ator, acabando também por escrever e realizar cinema.
 
Tendo como principal linha de ação a amizade e lealdade entre criminosos, o filme acaba explicar a forte ligação de Momom e Serge, dividindo a história em duas linhas temporais: passado e presente. Embora a ideia seja a de humanizar as suas relações, a verdade é que por vezes as lembranças acabam por parecer metidas um pouco à pressão com o intuito de dar alguma lógica aos acontecimentos do presente. A esse facto não serão alheias as contrariedades que o realizador enfrentou no filme, inicialmente previsto para ser divido em duas partes, uma no passado e baseado nas memórias de Vidal, e outra no presente que passaria por eventos ficcionais. No entanto, acabaria tudo por ser condensado numa única obra, o que acabaria por se revelar num produto final mais atabalhoado do que inicialmente Marchal previra.
 
Outra contrariedade foi a mudança de ambos os atores principais. Inicialmente escalado para desempenhar o papel de Vidal estava Alian Delon. O ator tinha incompatibilidades de agenda e acabaria por ser substituído de forma competente por Gérard Lanvin. Já o papel de Serge, que inicialmente estava atribuído a Bernard Giraudeau, acabaria por ser interpretado por Tchéky Karyo, pois o ator abandonou o projeto por motivos de saúde.
 
Face a todas as contrariedades, Marchal acabaria por concluir um projeto diferente do que inicialmente imaginara e que falha no seu principal intento de criar empatia com o espectador, acabando apenas por se quedar por um policial pouco escorreito, com algo mofo, mas que não deixa de ter os seus momentos de interesse. 
 
O Melhor: Gérard Lanvin como Momom 
O Pior: Os constantes cortes passado, presente acabam por tornar a ação mais lenta.
 
 
 Carla Calheiros
 

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