Hollywood tem vindo a apostar em filmes de ficção cientifica que orbitam muito em torno dos conceitos distópicos e futuristas dos trabalhos de Philip Dick. «Source Code», «Inception», «Agentes do Destino» são belos exemplos disso mesmo. «In Time» é um novo caso e apesar de não ser uma película que se centra num design profundamente futurista, o filme apresenta uma visão distopica do futuro apoiando-se num conceito mais íntimo relacionado com a relação entre os homens e o Tempo.
Esta é a marca de Andrew Niccol, conhecido por ter escrito «The Truman Show» e realizado “Gattaca” e “S1m0ne”, belos exemplos de um cineasta que toca sempre nos temas da exploração da tecnologia, na perfeição humana e no controlo social sobre o individuo.
Em “In Time” estamos num mundo onde toda a gente não tem mais do que o aspecto jovial de uma pessoa de 25 anos, isto graças à possibilidade de se conseguir controlar o tempo. O tempo passa a ser assim um substituto do dinheiro, ganha-se e gasta-se, e até mesmo se pode roubar. Caso se gaste mais do que se tenha, a morte é uma certeza, e isto funciona de certa maneira como uma ironia muito própria ao mundo em que vivemos, pois é frequente gastarmos mais daquilo que temos. Só que aqui o literal ganha um novo sentido, e se gastamos o que não possuímos, sofremos literalmente na pele as consequências.
A crítica política está assim implícita, mas também uma chamada de atenção num mundo onde as discrepâncias sociais acentuam-se. A obra divide mesmo em duas zonas este «novo mundo». De um lado temos a «ala» dos pobres, o gueto, em Dayton, onde é constante a corrida contra o tempo. Em oposição temos a zona dos ricos Nova Greenwich (numa clara referência ao meridiano que serve de base para medir as longitudes e definir os fusos horários). A fim de travar esta discrepância deparamo-nos com Will Salas (Justin Timberlake), um operário que não consegue ter mais do que um dia de vida, mas que conhece um misterioso homem, Henry Hamilton (Matt Bomer) – pessoa que tem mais do que um século e generosamente oferece-lhe todo esse tempo. Sallas apercebe-se assim da injustiça que esta nova forma de vida pode trazer, pois para uns serem imortais muitos têm de morrer. Quando Sallas é acusado de não ter ganho esse tempo, mas sim roubado, ele tenta fugir levando como refém Sylvia Weis (Amanda Seyfried), uma jovem proveniente de uma das famílias mais ricas.
{xtypo_quote_left}“In Time” é uma frenética e literal corrida contra o tempo… {/xtypo_quote_left}Será que Sallas irá conseguir provar a sua inocência antes de o seu tempo acabar e travar esta distinção entre pobres e ricos? É ai que o filme nos prende e “In Time” é uma frenética e literal corrida contra o tempo.
Justin Timberlake consegue-se destacar neste projecto, pois protagoniza um papel diferente do que estamos habituados a ver nos tempos mais recentes, como em “A Rede Social” ou “Amigos Coloridos”. Por sua vez, Amanda Seyfried, que volta a trabalhar com Timberlake após «Alpha Dog», abre aqui uma nova porta no género de acção, isto depois de mais recentemente ter protagonizado diversos dramas romantizados, como «Juntos ao Luar», «Cartas para Julieta» e« A Rapariga do Capuz Vermelho».
Outra das coisas positivas em realção a “In Time” é a boa química entre Timberlake e Seyfried, apesar de Seyfried ser a menina mimada e Timberlake o pobre rapaz, ambos se unem e lutam pelas diferenças entre as classes mais ricas e as mais pobres. São uma espécie de «Robin Hood» dos novos tempos, e como duo que são até se pode dizer que funcionam como uma espécie de « Bonnie & Clyde» no futuro.
No elenco podemos ainda encontrar Olivia Wilde, a mãe jovial de Timberlake, Alex Pettyfer, o ladrão do tempo, um dos vilões da história. Já Cillian Murphy protagoniza o papel de um protector do tempo, uma espécie de polícia, que lutou por uma vida melhor fora do gueto.
Assim, e com uma estrutura linear, uma fotografia carregada de contrastes e uma banda-sonora a acompanhar o tom frenético do enredo, «In Time» acaba por ser muito mais que um thriller de ficção cientifica repleto de acção, levando o espectador a descobrir uma história muito menos superficial e puramente de entretenimento que o seu trailer deixava antever.
O Melhor: O enredo é inventivo e tem mais camadas do que se antevia
O Pior: A temática podia ir ainda mais além daquilo que foi
| Margarida Proença |

