Na habitual conferência de imprensa após a estreia de “Hara” no Festival de Antália, o realizador Atalay Taşdiken afirmou que quando enviou o filme para o festival, não tinha esperança de que ele fosse selecionado para a competição, isto porque este género de eventos atualmente preferem finais “sem esperança, pessimistas ou incertos“. “Hara”, o seu mais recentemente filme, vai num sentido completamente contrário, começando como telenovela e acabando como conto de fadas à la Disney, mas não é o facto de ser esperançoso e narrativamente conservador o seu maior problema, mas sim a incapacidade total de se soltar das barreiras da linguagem de telefilme ou da novela de luxo.
E nem alguns planos plongée de evidente beleza cinemática salvam um filme formatado e minado por uma exploração sentimental primária, com uma clara separação de bons, maus e vilões a partir de avaliações superficiais e uma banda-sonora intrusiva. Na verdade, guião, interpretações e a banda-sonora estão numa sintonia tão perfeita de lamechice que no final até provocam risos inadvertidos nos mais cínicos (como eu), ainda que certamente algum público habituado a estes registos telenovelescos possa se emocionar, tal como acontece quando veem e ouvem uma Miss Mundo dizer que o quer da vida “é ajudar os pobrezinhos”.
No centro de “Hara” está um casal e a sua filha. Eles vivem e cuidam de um rancho. Quando a dona desse rancho morre, a sobrinha – há muito afastada do local – regressa, iniciando o desmantelamento do espaço, o que inclui a venda dos cavalos. E mal se inicia o processo, a família que vivia e trabalhava lá começa também ela a se desintegrar, com a esposa a sair do local e a iniciar o processo de divórcio.
Previsível na sua fuga ao pessimismo, Atalay Taşdiken responde com mais clichés ao tentar fugir de outros, executando um trabalho que se revela demasiado pobre para poder almejar qualquer honra na premiação do Festival de Antália. E aquele momento final de atuação musical é mesmo a cereja no topo do bolo da mediocridade.




















