O universo “The Conjuring” tem sido uma máquina de produção industrial, entregando desde o primeiro projeto, em 2013, oito filmes, entre sequelas e spin-offs, o que dá uma média de um por ano e um bolo total nas bilheteiras já na casa dos 2 mil milhões de dólares.

Criado por James Wan, que já tinha em 2004 iniciado outra saga de sucesso dentro do horror (Saw), este universo tem tido os seus melhores espécimes cinematográficos dentro da franquia original, mas ao terceiro filme – The Conjuring 3 – A Obra do Diabo – já se sente o desgaste e a cada vez menor surpresa do que poderá ou não acontecer ao casal Ed e Lorraine Warren, interpretados, respetivamente, por Patrick Wilson e Vera Farmiga.

“Baseado num caso real”, o  foco agora é Arne (Ruairi O’Connor), um jovem que fica possuído por um demónio que o leva a assassinar um homem. Pelo menos é isso o que ele e o seu advogado alegaram em tribunal, com a ajuda sempre preciosa da dupla de investigadores paranormais, a qual anos antes participou ativamente num exorcismo onde o rapaz também se encontrava.

Toda a dinâmica dos filmes anteriores da franquia “Conjuring” repete-se, com Farmiga e Wilson a entregarem performances seguras, mas em jeito automático, para nos trazerem uma história visualmente entregue de forma bem limitada (para não dizer genérica) pelo realizador Michael Chaves, que antes assinou, no mesmo universo, “The Curse of La Llorona”.

Chaves conhece os códigos do cinema de terror e sabe minimamente levar o espectador aos sustos, mas em termos de construção de ambiente recicla meramente gímnicas já esbatidas dentro do género, numa economia criativa de planos gritante, que somados a uma edição sempre dentro do óbvio e uma fotografia demasiado escura em momentos-chave, não fazem deste um filme tão assustador como deveria ser, ou os anteriores da saga foram. 

A verdade é que ao terceiro filme, e sabendo que esta é uma máquina bem oleada para continuar a produzir até deixar de ser rentável (sendo aí provável um reinício de tudo), sabemos que por maiores problemas que a dupla Wilson-Farmiga passe, no final estão sempre frescos e prontos para mais. Essa sensação naturalmente tem efeito na forma como tememos (ou não) por eles, com natural evidência de previsibilidade. No final, e com isto em mente e na tela, o espectador acaba apenas por se contrair timidamente com os famosos “cheap thrills”, que aqui até se revelam escassos.

Por tal, “The Conjuring 3 – A Obra do Diabo” sente-se apenas como um mero objeto serializado com cada vez menos para mostrar, inovar e assustar, isto num género já de si carregado de filmes superiores, até dentro da própria saga.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
the-conjuring-3-culpem-o-diabo“The Conjuring 3 - A Obra do Diabo” sente-se apenas como um mero objeto serializado com cada vez menos para mostrar e inovar