Com uma das atuações mais luminosas e divertidas do Festival de Locarno, através da sua presença em Legend of the Happy Worker, atriz americana Meagan Holder trouxe um sorriso (do tamanho dos Alpes) contagiante. Conhecida por papéis em séries como Pitch (2016), Unreal (2018) e Monarch (2022), Meagan Holder é uma figura versátil do pequeno e grande ecrã — de One Way (2022), passando por episódios de Criminal Minds e Ringer. Mas foi no filme de Duwayne Dunham que Holder encontrou um dos papéis mais transformadores da sua carreira: Joanne, mulher do cavador Joe, cuja alegria simples e inabalável ilumina um mundo absurdo.
“Quando li o roteiro pela primeira vez, não consegui largar”, confessou a californiana ao C7nema. “Adorei a linguagem, a forma como as personagens falam — é diferente da realidade. É quase como um conto de fadas.” Para ela, o texto que tinha pela frente era o de uma fábula moderna, e a sua personagem alguém saído de um livro infantil. Antes mesmo do teste, Holder já imaginava o visual da personagem: um avental, uma camisa antiga, algo doce e intemporal. “Fui a uma loja de segunda mão e encontrei uma camisa por quatro dólares. E pensei: é isso. É ela.” Esse cuidado com o detalhe não era apenas estético — era uma forma de entrar no mundo do filme, onde o simbolismo e o ritual substituem a lógica.

A Joanne vive numa casa minúscula e olha para o marido, Joe, com um orgulho que transcende o trabalho sujo e invisível de cavar um buraco sem fim. “Todas as vezes que aparece na tela, está tão animada”, diz Holder. “Ela é profundamente feliz com o que tem. E preparar-me para isso… deixou-me alegre também.”
Filmado há cerca de sete anos, Legend of the Happy Worker estreou em 2025 na Piazza Grande do Festival de Locarno, e para Holder, o momento foi profundamente emocionante. “Fiquei muito emocionada de ver as pessoas fazendo fila para o filme. Este filme mudou a minha vida, de verdade. Abriu um novo mundo artístico para mim.” Vinda do teatro, ela viu no projeto uma volta às origens: “Foi como atuar no teatro de novo — maior, mais brilhante. Na TV, tudo é pequeno, realista. Aqui, era o oposto.”
A experiência com Dunham foi marcada por uma liberdade criativa rara. “Ele não dava direções super específicas”, lembra. “A energia no set era a direção. O projeto vivia e respirava por si só.”
Hoje, Holder continua ativa em séries e tem novos projetos em desenvolvimento, incluindo um filme independente com uma amiga que se estreia como realizadora. Mas é no cinema — não no streaming — que ela encontra a sua verdadeira paixão. “Cresci com filmes dos anos 20, 30, 40… Cary Grant, Lucille Ball, Dorothy Dandridge. O cinema é onde encontrei meu amor pela arte.” E estar em Locarno, num festival que celebra o cinema como arte, é, para ela, “algo sagrado”.
O Festival de Locarno encerra a 16 de agosto.

