Emad Burnat, realizador palestino do nomeado ao Óscar «5 Broken Cameras» [ler crítica], foi ontem retido e ameaçado de deportação, juntamente com a família, no aeroporto de Los Angeles.
Segundo relatos divulgados na página do Twitter de Michael Moore, os serviços de imigração foram confrontados com um convite para a cerimónia dos Óscares, mas não compreendiam como um cidadão palestino poderia ter uma nomeação. Ainda de acordo com Moore, foi preciso a intervenção dos advogados da Academia de Artes e Ciências para que o cineasta pudesse entrar no país. «Não é nada que não esteja habituado (…) quando se vive sob ocupação e sem direitos, isto é algo que acontece diariamente», confessou Burnat a Moore após a situação ser desbloqueada.
Recordamos que «5 Broken Cameras» é co-realizado pelo israelita Guy Davidi, numa parceria que começou em 2009 mas que aproveita as filmagens que Burnat executou da resistência do seu povo à instalação de um colonato israelita em terras palestinas. O caso remonta a 2005, no povoado de Bil’in, na Cisjordânia. Na altura, a situação fez as capas dos jornais, até porque esta localidade tornou-se um símbolo de resistência numa região sem solução fácil à vista.

