Estreia hoje, nos cinemas portugueses, o mais recente filme com a assinatura de Luc Besson, ‘Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec‘ , que tem a produção da EuropaCorp, do qual o cineasta é accionista maioritário, com 62% dos títulos.
Mas os tempos de sucesso não são os de antigamente. Criado em 2000, o estúdio teve um crescimento sem paralelo no cinema em França, tornando-se líder na produção em 2009, com 145 milhões de euros investidos numa dúzia de filmes. Em dois artigos publicados no Le Monde ficamos a descobrir que a situação económica da empresa é precária, e segundo ex-número 2 da companhia, Pierre-Ange Le Pogam, o estúdio investiu muito em filiais e em obras das quais ainda se buscam regalias, enquanto outros trabalhos não deram o retorno esperado, como ‘’Les aventures extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec‘ e o volume dois e três do franchise de animação “Arthur”. Estima-se que, em 2010, as perdas tenham sido na ordem dos dez milhões.
Essa deterioração do capital do estúdio afectou bastante a composição dos quadros da empresa, e alimentou a desconfiança entre Le Pogam e Besson. Um outro episódio com contornos bolsistas funcionou como um abalo na relação dos dois amigos, tendo Pogam ganho bastante dinheiro num investimento, e Besson perdido muito (cerca de 70% do valor investido).
A derradeira machadada na relação surgiu após a contratação de Christophe Lambert, um homem que veio da política e que é muito próximo de Nicolas Sarkozy. Para Le Pongam, o estatuto de Lambert é a de um homem duro, brutal, o que não faz parte da sua cultura. Como Besson era acionista maioritário, Le Pongam cedeu. Mas rapidamente, o ex-número dois da companhia francesa entendeu que a chegada de Lambert era uma estratégia pessoal de Besson. Com a ida do cineasta para a Tailândia, onde ia filmar a obra sobre Aung San Suu Kyi, Lambert fica a cargo na EuropaCorp.
Pongam cedeu as suas acções e abandonou o barco. Quanto à empresa de Besson, é esperado no final de Março ser lançado um plano de viabilização. O estúdio pode mesmo passar a produzir menos e assumir menos riscos, sendo o projecto gigantesco de ficção científica que Besson tinha planeado, um dos prováveis sacrificados.
Entretanto, e para valorizar o material que já possuiu, são lançados projectos para TV. “Transporter”, “Taxi” e ‘Taken’ são as obras de que se fala, sendo possível também “Arthur” chegar ao pequeno ecrã. Uma sequela de ‘Taken’ no cinema também não é de excluir, visto ter sido o último grande sucesso da empresa no mercado mundial.
Mas resistirá a EuropaCorp à crise financeira global?
Jorge Pereira

