Críticas de Sundance : ‘Like Crazy’ arrebata (mas também devasta) corações no festival

(Fotos: Divulgação)

Quem passou por uma relações de longa distância, e os problemas que esses relacionamentos trazem, provavelmente vai-se sentir devastado com este “Like Crazy”, uma construção elíptica e análise de uma relação que provavelmente muitos vão comparar, com suficiente distanciamento, a “500 Days with Summer”,“ Blue Valentine” ou ao mais pateta “Going The Distance”.

E sim, há comparações que podem ser feitas, quer na analise a relações, como no amor que transparece no grande ecrã, mas poucos se deixarão prender a essas amarras, porque aqui tudo é tratado de forma diferente, ainda que os pequenos detalhes de uma paixão sejam sublinhados na obra como aquilo que para sempre nos resta na memória.

Anton Yelchin  e Felicity Jones são Anna e Jacob, dois jovens que se conhecem e apaixonam. Em pouco mais de três momentos isto acontece, fugindo o realizador ao que é normal nestes filmes, que é seguir nervosismos, o primeiro beijo, etc. Aqui não, e é nos tais detalhes que o filme prossegue perante os nossos olhos fascinados, mas com um sentimento cinico para com ingenuidade do duo que se auto proclama apaixonado e até pensa no futuro.

Forçosamente o casal vê-se separado fisicamente, pois o visto de Anna expirou e ela teve de regressar ao Reino Unido. E se uma relação à distância é complicado, tudo piora quando são continentes que separam os apaixonados.

O filme deixa então o seu tom doce e segue-se o amargo. Estando separados por vários fusos horários, muitas vezes nem se falam, e ainda tem de lidar com  a visão de outros casais, o que ainda os frustra mais. Pelo meio surgem outras pessoas,  enquanto eles tentam manter o contacto e relação até que Anna tenha de novo um visto – algo que se torna muito difícil depois de ela ter violado as leis.

O filme desenvolve-se assim de forma doce e apaixonada, mas muito real e sem grandes artificialismos. Uma das coisas boas que o argumento tem é que não há propriamente más pessoas, o que torna muito mais difícil quando há que tomar decisões que devastam outras pessoas.

“Like Crazy” é facilmente um dos melhores filmes do género, e os seus actores e personagens são verdadeiras pérolas do cinema romântico contemporâneo.

 
★★★★☆ Mark D.Clark
 
 

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