E todos os meses de Janeiro (nas últimas décadas) tem sido assim. O mundo do cinema centra as atenções em Park City, no Utah, naquele que é o segundo Festival (dos mais importantes) a surgir na época alta dos certames (o primeiro é Toronto).
É aí que o cinema não produzido por grandes estúdios ganha a sua voz. Em 2011 não será diferente e o c7nema vai acompanhar o certame, quer através de Mark D.Clark e Lauren Boyd no terreno, quer através de algumas entrevistas executadas por Jorge Pereira e Shannon Griffithys aos cineastas que por lá vão passar.
As origens do festival e Robert Redford, o seu mentor
Redford, que vive no Utah desde os anos 60, está lá desde o início, mas como membro do conselho de direcção.
Em 1979 Sterling Van Wagenen abandona o Festival para se dedicar, no ano piloto ,ao Sundance Institute.
Só em 1981, na sua terceira edição, e já com Sydney Pollack nesse conselho, o Festival mudou para Park City.
Em 1985, o Sundance Institute incorpora o festival entre os seus programas, dirigindo o evento para as produções independentes.
O nome definitivo do Sundance Film Festival só surgiu em 1991, quando o nome foi alterado para reflectir o facto do Sundance Institute apoiar o certame desde 1985.
A Origem do Nome “Sundance Film Festival
Uma das personagens mais memoráveis de Redford no cinema foi a de Harry Longabaugh, alguém que conhecem melhor pelo nome Sundance Kid (do filme “Butch Cassidy and Sundance Kid”). O nome certamente vem daí, primeiro com a criação do Instituto Sundance, e depois na mudança do nome do festival.
Objectivos do Festival
O cinema independente americano, que tinha revolucionado nos anos 60 e 70, estava assim ameaçado pela loucura do donos dos cinemas, ansiosos em ver bandos de adolescentes invadir as salas.
Já ninguém queria ser John Cassavetes, mas sim Steven Spielberg ou George Lucas, e era assim essencial despertar o “outro” cinema que se podia produzir e que teria influências mais artísticas e menos comerciais.
Com a explosão do festival, e da importância que os estúdios dão ao cinema independente, o conceito do festival sofreu alguns problemas no início da década 00’. “O conceito de cinema independente está a perder o seu real significado”, afirmou Tarantino em 2004, referindo-se ao facto de o orçamento dos filmes estar a ser valorizado em detrimento do verdadeiro espírito de aventura dos cineastas. O exemplo dado por Tarantino, em 2004, apontava para o caso de Peter Jackson, o galardoado realizador de “Lord Of The Rings”, um dos maiores blockbusters dos últimos anos. Jackson empenhou todo o dinheiro que possuía e, segundo Tarantino, ele merecia estar em Sundance como exemplo claro do verdadeiro espírito do cinema independente.
Outras das formas que os grandes estúdios têm encontrado para desenvolver esta potencial mina de ouro é a criação de estúdios exclusivamente para produção e distribuição dessas obras. Um bom exemplo foi a Warner Independet Movies, a Paramount Vantage, a Fox 2000, e por aí fora.
Mas não será uma adulteração do conceito?
A Importância de Sundance no cinema hoje em dia
É lá que grandes negócios se desenvolvem, e que a distribuição de muitos filmes começa. Nunca é demais relembrar o caso de “Blair Witch Project” ou “Napoleon Dynamite”. Se o primeiro foi um dos filmes mais rentáveis de sempre, o segundo foi dos maiores triunfos no mercado do vídeo na América – redendo muito mais que obras que povoaram os cinemas no mesmo período.



