Entrevista a Chris Hemsworth, protagonista de «Rush – Duelo de Rivais»

(Fotos: Divulgação)

O ator australiano explica como sofreu para perder o peso (e os músculos) ganhos para o papel do super-herói Thor. E como foi conduzir os carros de corrida no filme de Ron Howard. Um filme sobre o duelo entre os pilotos de Fórmula 1 James Hunt (Hemsworth) e Niki Lauda (Daniel Bruhl) que promete apaixonar também o público. Já se fala de Óscares…

Já era fã da Fórmula 1 antes de fazer este filme?

Confesso que não seguia a modalidade.

Não me diga…

Tinha até mais interesse em motas porque o meu pai costumava participar em corridas. O mundo da Fórmula 1 era relativamente novo para mim, sobretudo este período dos anos 70. Mas acabou por me interessar pela forma apaixonante e por todo o glamour, glória e também o risco que acabava por entusiasmar o público.

No entanto, esta história chama a atenção para um público muito vasto que os amantes de Fórmula 1…

Sem dúvida . Por exemplo, tive reações muito positivas de mulheres que nem apreciam nada a Fórmula 1. Acho que este é um filme que preenche várias categorias. É um filme de entretenimento pipoca, mas com um elemento humano vincado. É muito excitante e com personagens complexas. São dois grandes rivais com um enorme respeito um pelo outro. Mas o mais importante é a honestidade que existia entre eles. Por isso, acho que é um filme com apelo para toda a gente.

Teve alguma preparação especial para conduzir aqueles carros?

Sim, tivemos quatro semanas de treino de condução e acabámos por fazer muito mais do que tínhamos esperado. Sempre com várias câmaras montadas no chassis. Foi muito divertido.

Como foi conduzir naquelas velocidades?

Certamente que não foi à velocidade que eles conduziam, mas suficientemente rápido para nós. Digamos que não valia a pena arriscar a vida por isso.

Imagino que tenha vivido alguns momentos arriscados…

Olhe, provavelmente as cenas mais complicadas são aquela em que apareço nu… (risos)

(risos)… A sério?

Seguramente mais intimidante que as corridas… (risos). Mas adorei este guião e esta história. Foi intimidante entrar no filme porque se tratar de entrar na vida de um ícone e perceber como ele era e o que fazia. No fundo, o que eu fiz foi o que o James (Hunt) fez, que foi ignorar a opinião dos outros e fazer o meu trabalho como entendia.

Calculo que tenha perdido algum peso para este filme. Foi difícil?

Basicamente, tive de correr muito e comer pouco. É que uma coisa é queimar gordura, mas no meu caso tinha também de queimar músculos que é diferente. É quase como se o meu corpo se estivesse a alimentar de mim… (risos). Foi algo desconfortável e que me tornou numa pessoa um pouco irritável, para desespero de quem estava perto de mim.

Imagino que não fosse fácil ao poderoso Thor entrar num carro de Fórmula 1…

(risos) Sim, foi complicado. É claro que não podia reduzir a minha altura, por isso tive de tentar encolher o mais possível. Mas, na verdade, o próprio James (Hunt) tinha também problemas em entrar no cockpit. Estava sempre a protestar com isso. Para mim, foi uma questão de tentar ajustar-me a essas medidas exigidas. Portanto, tive de suar um bocado…

O que que motivava aquele estilo do vida? O facto de arriscar a vida na pista?

A verdade é que naquele tempo, entre 1976 e antes, cinco a seis pilotos morriam na pista. O que é uma média terrível. No fundo, um estilo de vida em que desafiavam a vida em cada curva. Talvez por isso o James necessitasse de compensar esse risco com as festas, as mulheres, o álcool e as drogas. Ao passo que o Niki era um piloto que analisava o seu próprio medo, era quase matemático na sua abordagem. No entanto, o James tinha também um lado mais negro, que é apenas aflorado no filme, seja por vomitar antes das provas ou viver algum stress.

Como avalia o seu comportamento?

É claro que hoje isso seria inaceitável, mas nos anos 70 eram tempos mais permissivos. Mas ele acabava por ser desculpado por ser mesmo aquela a sua natureza. O que incluía muitas das suas namoradas… (risos)

O James não é assim?

Eu? Não. Sou até bastante pacato. Tenho uma vida familiar normal, ainda por cima agora que sou pai (India, com a mulher Elsa Pataky).

Agora que é pai, encara a vida de uma maneira diferente?

Acho que sim. Mas só a certo momento quando comecei a ficar maias consciente das coisas. Este filme permitiu-me recordar um pouco do que já fui. Sobretudo agora que tenho uma filha e absorvo a liberdade que têm do ambiente é algo que me ajuda.

É verdade que teve de fazer uma audição para este filme? O que foi que mais o atraiu para este projeto?

Inicialmente, foi o Ron (Howard). Mas quando li o guião fabuloso do Peter Morgan fiquei rendido àquela vulnerabilidade implícita. Ele não podia manter aquele nível de intensidade, tinha de haver algo mais. E é aí que começamos a compreender como era arriscado aquilo que ele fazia. Isso foi algo que me fascinou. O James era daquelas pessoas que entrava numa sala e conquistava o ambiente. Isso fascinou-me.

Imagino que o lado mais glamouroso e sexy da sua profissão também o ajuda a identificar-se com o ambiente que James Hunt vivia. Vê aí alguma comparação?

Em primeiro lugar, acho que não assim tão aventureiro como ele (risos). Pelo menos eu não tive.

Ainda se lembra como se tornou uma estrela?

Já foi há tanto tempo… Foi quando me mudei para Sidney e estava a fazer um programa de televisão. Na altura tinha 19 anos e vivi parte da diversão e loucura própria da idade pelo facto de aparecer na televisão. Foi tudo muito rápido, pois aparecia quase todos os dias no ecrã, de modo que a fama e toda essa loucura cresceu. Lembro-me também de pensar nessa altura como esse tipo de loucura poderia ser passageira. Por isso, acho que me consigo relacionar com o que estes
tipos passavam na pista. Eles sim, eram verdadeiras celebridades. Eram as verdadeiras estrelas rock da altura.

Mas o Chris também é uma celebridade. No seu caso, imagino que também consiga retirar algum prazer daquilo que faz…

Claro que sim. Como disse antes, acho que se não me estiver a divertir, será que vale a pena? Tudo o que faço é porque é divertido. E divirto-me mais agora do que antes, porque não há tanta ansiedade. E mesmo quando não trabalhava tanto. O truque é apreciar as coisas quando existem. E sobretudo neste caso por se tratar de uma história verídica. No fundo, tento apreciar o momento e fazer parte de algo que de todos estamos orgulhosos.

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