Fantasporto 2012: Entrevista a Jack Perez, realizador de «Some Guy Who Kills People»

(Fotos: Divulgação)

O híbrido da comédia, drama, terror e thriller “Some Guy Who Kills People” tem vindo a percorrer com sucesso festivais pelo mundo fora. O filme está presente no Fantasporto 2012, após exibições bem sucedidas no Festival de Sitges (Espanha) e no Abertoir: Whale’s National Horror Film Festival (Reino Unido).

Ken Boyd (Kevin Corrigan de “Superbad” e “Pineapple Express”) é um solitário, que vive com a mãe e trabalha numa geladaria. Ele esteve internado num manicómio e ninguém gosta dele. Quando os rufias da cidade – responsáveis por uma das maiores humilhações da vida de Ken – começam a morrer, tudo aponta para que ele seja o responsável pelos homicídios. O xerife da cidade – que anda envolvido com a sua mãe – no entanto não é muito eficiente. Para complicar mais a vida de Ken, ele decide entrar em contacto com a sua filha biológica, a qual nunca havia conhecido.

As mudanças de “tom” de “Some Guy Who Kills People” são, no mínimo, abruptas. O que parece ser uma comédia sobre um “loser” conta com atmosféricas cenas de terror e uma narrativa envolta em mistério. E a maior das surpresas, um delicioso e comovente relacionamento entre Ken e a sua filha Amy, numa fantástica interpretação da jovem Ariel Gade (“Dark Water”).

O filme começou por ser um projecto de John Landis, mas este acabou por apenas ser produtor executivo. O seu realizador, Jack Perez, tem um vasto currículo na televisão (onde se destaca a sequela “Wild Things 2” e o recente “Mega Shark Vs Giant Octupus) e parece saltar aqui da Hollywood televisiva para o cinema indie).

O c7nema falou com Jack Perez no rescaldo do sucesso do filme no festival Abertoir.

Como te chegou às mãos este argumento tão bizarro de Ryan A. Levin?

O meu agente conhecia um dos produtores do filme e fiquei interessado quando ouvi que o John Landis havia deixado de ser o realizador para se dedicar ao “Burke and Hare”. Li o guião e pensei que era fantástico. TINHA de o fazer. Então conheci o Ryan e vendi-me como o realizador ideal para o filme. Felizmente, ele disse que sim.

Este filme é uma mistura de vários géneros. É uma comédia, mas é muito negra. É um filme bastante “gore”, mas é uma história humana. Como conseguiste definir o tom do filme?

O argumento lia-se dessa forma – uma mudança continua de tom. Divertido, de repente assustador e gore, depois ternurento. Foi por isso que o adorei. Eu decidi dirigir o filme como se fosse um drama. Fui atrás da plausibilidade, confiando que o conteúdo divertido seria divertido por ele próprio, sem o enfatizar.

Eu basicamente adaptei-o fielmente, acentuando a atmosfera apenas quando era mesmo imprescindível, nomeadamente nas cenas de mortes. Foi aí que me permiti dar um estilo visual mais amplo, mais barroco.

Porque foi Kevin Corrigan o escolhido para ser Kevin?

Bem, eu conheco o Kevin já há muito tempo e sempre falámos sobre fazer um filme em conjunto. Esta pareceu ser a oportunidade perfeita. Eu idealizei o Ken de imediato. 

Ele  interpreta sempre personagens algo “sacanas”, mas eu sempre o vi como querido e acolhedor. Curiosamente, quando ele é “um gajo que mata gente” tem um papel muito mais comovente do que quando não mata ninguém, e é apenas um parvalhão.

Kevin Corrigan como Ken

O filme faz um pouco lembrar “Super”, na premissa e no ambiente. Que te parece a comparação?

Sim, creio que haverão algumas semelhanças. Eu gosto do “Super”.

Vês-te a fazer uma sequela?

O Ryan e eu nunca falamos sobre isso. Creio que podia ser interessante explorar mais estas personagens.

O xerife Fuller, interpretado por Barry Bostwick, merece a sua própria série no meu ponto de vista – o Barry está delirante. Mas não sei, talvez uma sequela onde a filha, a Amy, é psicopata.

O filme tem vindo a ser bem recebido em festivais, como recentemente no Abertoir no País de Gales. Esperavas este tipo de reacção entusiasta?

Eu nunca sei o que esperar. Algumas pessoas dos festivais apenas gostam dos filmes de género quando são puros. Portanto, eu tinha medo que não gostassem um filme que fosse uma mistura de sangue e comédia com uma mensagem comovente. É uma combinação bizarra. Mas estou muito feliz por as pessoas estarem a gostar.

Tens realizado alguns filmes para TV como “Wild Things 2” e “Mega Shark Vs. Giant Octopus”. Será que esta comédia de terror indie é uma tentativa de fugir a produtos tão comerciais? 

Bem, eu na realidade comecei por fazer filmes mais “art house”. Os meus primeiros dois filmes de relevo, “The Big Empty” (1997) e “La Cucarach” (1998), eram muito pessoais e pouco convencionais. Foram populares em festivais. O “Some Guy Who Kills People” é na linha desses dois filmes.

Filmes como o “Mega Shark Vs Giant Octopus” são contributos bizarros, mesmo que televisivos, para o mundo da ficção científica. Como argumentista do filme, como é que surge um confronto entre dois monstros assim (“monster mash-up”)?

Eu cresci a ver filmes de ficção científica dos anos 50 como “Them!” e “The Beast from 20,000 Fathoms”. Também vi os “Godzilla” dos anos 60 e 70. Portanto, foi para mim muito fácil e divertido escrever e realizar um filme de monstros à moda antiga, algo tolo e imbecil.

A polícia é inútil em «Some Guy Who Kills People» 

Qual é o teu projeto de sonho?

Eu quero muito fazer outro filme com o Ryan. Ainda hoje estivémos a falar de um novo projeto. É um “thriller”, muito intenso. Também tenho algums “mash-ups” que gostaria de fazer um dia.

Qual foi o filme de terror recente que mais gostaste?

Não há muito material recente que me tenha apelado. Eu regresso muito a coisas antigas para buscar inspiração. No Halloween revi o “The Last Man on Earth”, com o Vicent Price, pela centésima vez (primeira adaptação cinematográfica do livro “I Am Legend” de Richard Matheson). Esse é um filme fantástico.

 
 
 
 
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