«The Dynamiter», o primeiro filme de Matthew Gordon, foi a obra escolhida para abrir o FEST 2012, hoje às 22 horas, na Sala Tempus do Centro Multimeios de Espinho.
Esta longa metragem é um retrato de uma América rural nos tempos modernos e das dificuldades em sair dos clichés que as nossas vidas por vezes são, procurando a nossa personagem algo diferente para o seu futuro.
O c7nema teve oportunidade de falar com o realizador Matthew Gordon sobre esta produção de 250 mil dólares que tem conquistado o público de diversos festivais.
Como nasceu a ideia para «The Dynamiter»
O meu sonho era fazer um filme no Mississípi que contasse a história de um rapaz e o seu irmão que inspirasse a audiência a acreditar que quaisquer que sejam as dificuldades que os fustiguem, existe sempre esperança. Espero que o Robbie Hendrick seja a personagem que consegue isso, com a sua coragem, força e pureza.
Esta é uma história muito pessoal e com uma linguagem muito intima. É baseado na sua experiência?
É uma história muito pessoal, mas não autobiográfica. Tem elementos da minha vida em muitas das ações das personagens, mas é uma criação para cinema. Foi uma opção minha permitir que a voz destas personagens fosse a verdadeira voz das pessoas desta região no sul dos EUA. Elas dão o coração e a alma à história. Eu estava lá para guiar a história até e dar-lhe um poder emocionalmente subtil.
Que cineastas o influenciam mais?
Cassavettes, Malick , Antonioni e os irmãos Maysles (documentaristas) são quem mais me influenciou. ~Também gosto muito dos filmes «Viver a Vida» de Jean-Luc Godard, «Fogo Fátuo» de Louis Malle e «Conta Comigo» do Rob Reiner.
Como foi o processo de casting para «The Dynamiter»?
Foi uma loucura! Usamos amadores por isso conhecemos cerca de 800 pessoas para os 35 papéis do filme. Como o casting estava aberto a todos os que desejassem concorrer, demorou muito tempo. Isto mesmo permitiu que o filme se tornasse uma parte da comunidade onde tinha nascido a ideia. Ter amadores da região em todos os papéis do filme era algo que achava crucial para as verdadeiras emoções e para o poder da obra. Estas pessoas têm imenso talento e muitas vezes nem dão conta disso.
Este filme custou apenas 250 mil dólares. Como conseguiu fazer um filme com tanto impacto com tão pouco dinheiro?
Obrigado pelo elogio. A chave de tudo foi ter uma equipa e um elenco muito talentoso e empenhado. Tivemos muita sorte nisso. Todos trabalhamos juntos e realmente havia muito respeito, o que permitiu ter um ambiente em que não havia problemas de existissem erros desde que nos esforçássemos ao máximo para que o melhor acontecesse. Estou extremamente orgulhoso com o trabalho de equipa e o empenhamento.
O filme teve grande sucesso em festivais e no circuito independente. Esperava essa reação? Como foi ser nomeado para o prémio John Cassavetes nos Independent Spirit Awards?
Este sucesso nos festivais e no circuito indie, em especial a nomeação aos Independent Spirit Awards, foi um total choque para mim e para toda a equipa. Só queríamos fazer um filme que fosse verdadeiro com a nossa visão e o mais honesto possível emocionalmente. Tivemos muita sorte e agradecemos bastante a experiência. É um orgulho mostrar o nosso trabalho ao publico, como em Portugal. É por isso que trabalhamos nisto.
O que conhece do Fest e quais as expectativas para a antestreia do «The Dynamiter» em Portugal?
Estou muito triste de não poder ir ao Festival e visitar Espinho, que tem uma costa e mercados a céu aberto maravilhosos. Sei que eu e a minha mulher (que também é produtora do filme íamos adorar ir. Acho que o filme vai ligar-se muito bem com a audiência, muito mais do que acontece em grandes cidades. É um sonho para nós partilhar a obra com centenas de alunos de toda a Europa que se juntam aí – o mundo fica mais próximo com estas experiências. Mal posso esperar para saber como tudo vai correr.
Tem novos projetos?
Neste momento estou a escrever três projectos com três colaboradores diferentes – vamos ver qual será o primeiro a avançar. Estou a ponderar qual será o melhor agora para depois mergulhar completamente nele. Os temas da esperança e os laços amorosos são temáticas que continuarei a seguir.

