Hoje no FEST Espinho: Entrevista a Patrício Faísca («Comando»)

(Fotos: Divulgação)

São diversas as curtas-metragens portuguesas em competição esta semana no FEST – Festival Internacional de Cinema Jovem de Espinho. O C7nema falou com Patrício Faísca, co-realizador de uma delas: «Comando».

No filme seguimos um mensageiro de guerra que procura quem está no comando de um batalhão que luta nas trincheiras. O projeto da New Light Pictures fez parte da seleção oficial do Porto7 e do New York Portuguese Film Festival, tendo vencido a edição nortenha do Shortcutz, em abril.


De que trata «Comando»?

«Comando» retrata uma mensagem universal que utilizámos como mote para criar um cenário de guerra. Quisemos também transmitir essa mensagem à nossa maneira. Poderíamos ter ido mais longe com um maior orçamento e mais tempo. No entanto, esta curta mostra acima de tudo aquilo que nós, como equipa e como indivíduos muitas vezes isolados do mundo, somos e fazemos. «Comando» retrata o espírito de jovens que acreditam no que fazem, mesmo sem qualquer formação na área. É o nosso cinema de guerrilha no seu melhor.

Como foi possível fazer um filme tão “profissional” sem nenhum orçamento?

É verdade que muitas vezes ser profissional implica ter meios, mas eu nem sempre vejo as coisas nesses termos. Gravámos mais de metade da curta com uma handycam Full HD acessível a qualquer pessoa numa loja. «Comando» é um exemplo de saber jogar com os recursos disponíveis, evitando ao máximo gastar dinheiro. Esse é o nosso primeiro método; depois vem a paixão e a dedicação, que muitas vezes valem mais do que um profissional qualificado.

Acho que não se trata de poder ou não poder fazer, mas sim de querer fazer. Podemos não ter todas as condições — e não temos — mas não é por isso que vamos desistir. Com o acesso a “n” ferramentas e recursos disponíveis na internet, coisas que podiam custar milhares podem ficar por meras dezenas, basta procurar e encontrar a melhor solução possível.

O filme venceu o Shortcutz Porto e tem sido exibido em festivais por todo o mundo. Agora, no FEST. Como tem sido esta experiência?

Eu e o Sonat (Duyar, co-realizador), depois de concluirmos o projeto, sabíamos das suas qualidades e defeitos. Não esperávamos que a curta fosse tão bem recebida como tem sido. Aliás, «Comando» tem, de certa forma, ganho vida própria: não somos só nós que procuramos entrar em festivais, também há pessoas que nos contactam a pedir autorização para o exibir.

A experiência tem sido única. É excelente para nós e para toda a equipa ver o nosso trabalho não só ser reconhecido, mas também exibido um pouco por todo o mundo. Para nós é muito importante.

Tens algum novo projeto na calha?

Definimos uma meta com a nossa equipa: fazer três projetos até ao final do ano. Já gravámos um, estamos a terminar as gravações de outro e o terceiro será um videoclipe para a música original que está a ser criada para a nossa nova curta.

Entretanto, terminou agora o primeiro semestre e ainda falta outro, mas admito que o segundo semestre será mais de pós-produção do que de rodagem. Queremos superar o nível de qualidade de «Comando» e vamos trazer dois projetos completamente distintos um do outro, sendo que um deles tem o nosso maior orçamento de sempre — cerca de 600 €. No entanto, poderá acabar por ser um pouco mais.

 
 
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