“Se o Panda ganhar a Palma Canina, ficaria extasiado”. Estas foram as palavras do cineasta Hlynur Pálmason ao C7nema, um dia antes do seu cão, um pastor islandês, conquistar uma das distinções mais caricatas (e divertidas) do Festival de Cannes. “Na verdade é o único prémio que podemos ganhar”, brincou o realizador, que estreou o seu filme, “The Love That Remains”, na secção Cannes Première, que não é competitiva.
“The Love That Remains” capta um ano na vida de uma família, enquanto os pais lidam com a separação. Através de cenas íntimas e acontecimentos estranhos, o filme explora as complexidades da família, do amor e o impacto das memórias partilhadas. “Os filhos, o cão, as galinhas e o carro são meus. Os exteriores do filme foram rodados num espaço que também é meu. Mas tenham atenção, esta é uma história muito ficcionalizada. Não me vou divorciar. Às vezes fazemos filmes baseados nos nossos medos”.

Já com várias curtas-metragens na bagagem, e duas longas-metragens que deram que falar – “A White, White Day” e “Godland” -, o islandês Hlynur Pálmason é também realizador de “Nest”, que ganhou o Grande Prémio da Competição Internacional no Curtas Vila do Conde em 2022, depois de estrear na Berlinale. Foi algures durante a realização desse filme que nasceu a ideia para “The Love That Remains”, um projeto que durante três anos foi preparado por Hlynur ao detalhe. “Não sei concretamente quando surgiu a ideia, mas foi algures num pensamento sobre como passamos o tempo com as pessoas que amamos, como criamos memórias e o que realmente nos importa na vida. (…) Quando tenho uma ideia não sei para o que ela servirá. Se será para uma série de pintura, um filme. Começo uma busca artística de coisas que provocam um certo sentimento. Comecei a escrever o filme quando estava a filmar o ‘Nest’. Nele vemos três irmãos a construir uma casa numa árvore. Foi nessa altura que comecei a pensar no que estavam a fazer os pais deles. Qual é a situação da família? O que está acontecer fora da frame?”.
Por razões óbvias (deslocar um cão da Islândia para França implica uma série de burocracias), Panda, o cão de Hlynur, não esteve em Cannes para receber o prémio, tendo um sósia recebido a distinção.
A Palma Canina (Palm Dog), fundada por Toby Rose e entregue há 25 anos em paralelo ao Festival de Cannes, foi entregue em 2024 a Kodi, do filme “Dog on Trial“. Messi, o border collie de “Anatomia de uma queda“, e Brandy, o pit bull de “Era uma vez … em Hollywood” foram outros vencedores destaa distinção.

