Jiyoung Yoo fala de “Birth”: “a cultura coreana é muito conservadora”

(Fotos: Divulgação)

Seis anos depois de se estrear na realização com “Suseongmos”, onde seguia as vidas complicadas de três jovens que lutam para mudar as coisas, mas acabam por fracassar, a sul coreana Jiyoung Yoo volta ao terreno dos desaires pessoais, desta vez com um drama autobiográfico maduro e doloroso que coloca em xeque os papéis atribuídos às mulheres na sociedade.

Intitulado “Birth”, o filme, acima de tudo, debate expetativas, ao colocar um casal confrontado com uma gravidez acidental. Jay é uma escritora a trabalhar intensamente na sua segunda obra, quando descobre que está à espera de um bebé. Imediatamente, ela quer terminar a gravidez, pois acredita que isso vai travar a sua ambição de cada vez escrever melhor, mas é convencida pelo seu namorado, Geonwoo, a ter a criança: “Não tive uma experiência de parto, mas certamente que o filme é inspirado na minha experiência de vida”, explicou a cineasta coreana ao C7nema no Festival de Turim, garantindo que conseguiu criar uma distância ficcional e emocional ao material que escreveu durante dois anos, filmou em 19 dias e trabalhou no pós-produção durante seis meses.

Apesar de Jiyoung Yoo afirmar que o seu filme está muito enraizado na cultura sul coreana,Birth” revela em si um sentido universal, já que todas as sociedades tendem a apelidar de egoístas as mulheres que decidem terminar uma gravidez e seguir uma carreira, ao invés de dedicarem-se aos filhos. “A cultura coreana é muito conservadora e separa de forma vincada os papéis do homem e da mulher na sociedade”, criticou Jiyoung Yoo, lamentando que ainda se esteja muito longe de uma real mudança no seu país. 

Quanto à interação com os atores, Han Hae-in e Choi Hee-jin, a cineasta referiu que depois do guião ter terminado, aperfeiçoou alguns detalhes com eles, mas manteve o sentido original:Um ator tem o seu próprio carácter, voz e até forma de atuar. Quando completei o guião reuni-me com eles e aperfeiçoamos o que estava escrito, embora o resultado disso fosse muito próximo do trabalho original. É um trabalho autobiográfico sobre situações muito próximas e que queria expor ao público de forma muito fiel. Além de lhes explicar os tons de voz que queria para certos momentos, todos os reparos que fiz aos atores foram muito pontuais.”

Birth” está na competição principal no Festival de Turim, o qual encerra no próximo dia 2.

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