Paolo Sorrentino: “amo o caos circense do cinema

(Fotos: Divulgação)

Numa masterclass focada nos diálogos e monólogos presentes nos seus filmes, durante a 40.ª edição do Festival de Turim (TFF), o cineasta italiano Paolo Sorrentino afirmou que é alguém muito “terra-a-terra” e que a intelectualização das cenas dos seus filmes parte principalmente do seu ator fetiche, Toni Servillo: “É o Toni que me explica tudo o que está a acontecer“, disse Sorrentino por entre risos. “Ele é um tremendo intelectual que especula sobre as cenas. Eu escrevo para me divertir, mas ele, felizmente, dá inúmeros significados às coisas. Depois pego no que ele disse e reutilizo nas minhas conferências de imprensa.”

Reconhecendo que a sua paixão pelos monólogos vem “do seu amor pela literatura“, Sorrentino afirma que parte deles nasceram da tentativa falhada de escrever um livro, “que morreu para aí à página 8 ou 9“, e que, por diversas vezes, usa esses monólogos para opinar sobre diversas questões. Tal aconteceu desde o seu primeiro filme, “L’uomo in più“, e depois em Il Divo“, “A Grande Beleza“, “Juventude“, “Loro” ou “As Consequências do Amor, filmes que passaram pelo ecrã do Teatro Astra na forma de pequenos clipes: “Sou alguém muito terra a terra. Agradeço imenso aqui no painel dizerem que os meus filmes têm três tipos de monólogos, como os que usavam Shakespeare, Tchekhov ou Molière. Até me fazem sentir inteligente. (Risos). Se fiz algo como o Shakespeare, foi sem o conhecer. Nunca li, confesso. Por exemplo, a conversa do Jep Gambardella (Toni Servillo) no terraço em “A Grande Beleza”, perante aquela gente, nasce da minha antipatia por certas pessoas que dizem certo tipo de coisas. É uma frustração que tenho de não dizer-lhes o que penso, por isso uso isto para me exprimir.”

Afastando qualquer cenário de eventualmente escrever ou encenar uma peça de teatro, Sorrentino afirma que ama “o caos circense do cinema” e que vai continuar a trabalhar da mesma forma, mesmo “que a critica o continue a arrasar“: “Em A Grande Beleza interessava-me mostrar a minha ideia de Roma, que não é igual à das outras pessoas. O espectador tende a procurar uma verdade no filme. Isso não me interessa.”

Sobre “Loro“, o cineasta admite que as coisas não correram de feição, especialmente em Itália, por causa de quem retratava e de ainda ser demasiado cedo para falar dele: “Disseram-me que uma das razões porque falhou e não teve o impacto esperado é porque eu que devia ter esperado 10 ou 20 anos para falar de Berlusconi. Talvez seja essa uma explicação“,

O Festival de Turim decorreu de 25 de novembro a 3 de dezembro.

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