Our River…Our Sky: viver no medo

“Our River…Our Sky“ foi exibido no Festival do Cairo

Mas será que existe alguma coisa que funcione neste país?”, questiona uma das agastadas personagens de “Our River…Our Sky“, filme da britânica de origem iraquiana Maysoon Pachachi que nos leva a 2006, em plena ocupação americana do Iraque, onde o cheiro a pólvora permanece no ar em Bagdad através de múltiplas explosões e tiroteios, perpetrados por aquilo que os Media não paravam de chamar de insurgentes.

Estreado no Festival de Sarajevo e agora exibido no Festival do Cairo, “Our River…Our Sky” não esconde as restrições do seu orçamento, nem a sua forma que muitas vezes visita o teatro e o telefilme, mas encontra a sua força no seu texto e personagens, todas elas ardilosamente construídas de forma a mostrar um infindável número de obstáculos que têm de ultrapassar e que vão além do terrorismo.

Ainda assim, seja por uma bala, carro armadilhado, morteiro, ou bazuca, como um homem brinca após mais um massacre no seu percurso para o trabalho, todos vivem num estado de permanente medo, seja de morrer, seja de não ter futuro ou algum dia paz, onde divisões sectárias entre xiitas e sunitas estão bem demarcadas.

Irada Al-Jubori e Maysoon Pachachi na apresentação do filme no Cairo

E se alguns se recusam a abandonar o país, mesmo perante o caos, outras sonham com lugares distantes, da China ao Brasil, sendo interrompidas nos seus pensamentos por um qualquer ato trágico, onde até o sequestro joga importante papel.

No final, e depois de assistir a todo um leque de situações complexas, apresentadas sempre de forma não gráfica, onde não faltam diferentes gerações a falar de passado, presente e futuro, é a desesperança com o futuro que vinga nesta longa-metragem. Porém, existe ainda assim um olhar repleto de humanidade para todos os que surgem em cena, resultado do carinho que a cineasta tem por eles e tudo aquilo que vivem.

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