Toque sérvio, argentino e espanhol no arranque do Festival do Cairo

(Fotos: Divulgação)

Depois de forte alarido em Veneza, onde estreou, e San Sebastián, onde abriu a secção Perlak, “Official Competition”, filme que reúne Penélope Cruz, Oscar Martínez e Antonio Banderas no elenco, deu hoje, 27 novembro, o pontapé de saída na exibição de filmes do Festival do Cairo, certame que vai decorrer até dia 5 de dezembro, contando com Emir Kusturica como presidente do júri da competição internacional.

O festival, per se, arrancou no dia 26, com uma cerimónia de abertura na Cairo Opera House que contou com a exibição de uma curta-metragem sobre o cinema egípcio em diferentes épocas. O ator egípcio Khaled Elsawy fez então um discurso especial sobre o papel do cinema, apoiando a cultura da diferença.

Seguiram-se as palavras do produtor e argumentista Mohamed Hefzy, presidente do certame, na qual mencionou que o apoio e o incentivo que recebeu ao longo dos anos da sua presidência o motivaram a cada ano. No final do seu discurso, Hefzy convidou o Ministro da Cultura, Dr. Enas Abdel Dayem, para abrir a 43ª sessão.

Seguiu-se a presença de Mona Abdelwahab, que apresentou os filmes participantes da competição internacional, bem como o júri. Emir Kusturica subiu ao palco com uma apresentação musical, para fazer um discurso sobre a sua primeira vez no festival de cinema do Cairo. Após o discurso do sérvio, o músico Hani Shenouda tomou conta do palco.

A parte final da cerimónia ficou entregue à homenagem ao artista Karim Abdelaziz, com o Prémio Faten Hamama de Excelência, concedido pela estrela do cinema egípcio Mona Zaki; e a celebração de Nelly, vencedora da Pirâmide de Ouro pelo conjunto de sua obra.

O início da maratona

Foi com o filme da dupla argentina Mariano Cohn e Gastón Duprat, numa sessão às 12.30 (hora do Cairo), que as telas da capital do Egipto iniciaram a maratona cinéfila daquele que é o único festival de classe A de África.

Mais uma vez, a dupla argentina coloca em confronto egos, classes, maneiras de ser e agir de personagens que frequentemente transitam por entre mundos que normalmente se cruzam com a arte. Desta vez é o cinema em foco, com a história de um milionário que decide fazer um filme que deixe a sua marca na história. Para isso ele contrata uma realizadora famosa, Lola Cuevas (Cruz), o galã de Hollywood Félix Rivero (Banderas) e o ator radical teatral Iván Torres (Oscar Martínez). Todos eles iniciam uma confrontação que terá consequências trágicas.

Durante o dia 27, serão exibidos ainda “O Marinheiro das Montanhas“, de Karim Ainouz, cineasta brasileiro de ascendência argelina que no ano passado fez parte do júri. “A Chiara” de Jonas Carpignano e “Our River…Our Sky Film“, da britânica de origem iraquiana Maysoon Pachachi, são apenas dois dos muitos filmes a destacar neste primeiro dia de exibições.

Em “Our River…Our Sky Film“, Sara é uma mãe solteira e romancista, chocada em silêncio após um momento de extrema violência sectária e o toque de recolher noturno em Bagdad. Ela e os seus vizinhos deixam o espectador entrar nas suas vidas quotidianas, enquanto lutam para resistir à fragmentação do seu mundo e renovar o senso de esperança num futuro melhor.

Anteriormente distinguido pelos patrocinadores da Quinzena dos Realizadores de Cannes, “A Chiara“ acompanha a história de uma rapariga de 16 anos que vem a compreender o envolvimento do seu pai numa rede de crime organizado. Um filme que mais uma vez demonstra que Jonas Carpignano (A Ciambra) é um dos cineastas contemporâneos mais interessantes.

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