Gaspar Noé. O seu nome ainda pode escapar a alguns espectadores. Mas se falarmos de “Irreversível”, aí todos nós conseguimos associá-lo a uma das experiências mais marcantes da década passada.
O realizador esteve em Lisboa numa viagem relâmpago para promover “Enter the Void”, o seu último filme (que chega aos nossos cinemas quase 3 anos após a sua estreia no Festival de Cannes). Um filme mais uma vez divisivo e extremista, e que cimenta Noé como cineasta de vanguarda nesta nova era digital.
O c7nema teve oportunidade de falar alguns minutos com o cineasta. Aqui ficam as suas palavras, não só sobre “Enter the Void”, mas também sobre outros projetos que ele tem na agenda.
Os seus filmes são sempre muito divisivos e desenhados para chocar. Entusiasma-o ver membros da audiência desconfortáveis, ou até furiosos e a sair da sala? É crucial para si (o fator choque) quando está a desenvolver um novo projeto?
Sim. Fazer um filme é como mover uma montanha-russa. Queremos que as pessoas se sintam excitadas. Que chorem, que riem, que se assustem. Portanto, sim, podemos usar todo o tipo de truques para mexer com a plateia. Quando vi pessoas a sairem a meio de “Irreversível”, ou até deste filme, gostei. Gosto de pôr as pessoas a pensar.
“Enter the Void” é em si uma “trip” para o espectador. Como é que surgiu esta ideia?
No início, quis fazer uma curta-metragem sobre um tipo que toma LSD acidentalmente, e o filme seria visto do ponto de vista da personagem principal. Quis também fazer um filme que fosse visto de cima. Depois, pensei em fazer um filme em que o protagonista fosse visto antes de morrer, e depois tivessemos uma visão da sua morte. Gosto de pensar na vida depois da morte, mas não sou uma pessoa religiosa, de todo.
Porquê Tóquio desta vez?
Acho que é uma cidade muito alucinogénica, visualmente. Além disso, parece muito mais solitária, pois estás num país em que não pertences, com pessoas que não falam inglês. E depois há uma repressão maior pelo tráfico de droga. Podes apanhar 2 ou 3 anos de prisão.
O seu filme foi exibido em vários festivais de cinema, espalhados por todo o mundo, ao longo dos últimos anos. Consegue dizer-nos qual foi a sua experiência favorita em Festival?
Cannes. O Festival de Cannes.
Gosto de Sundance, gosto de Toronto… Gosto de viajar pelo mundo por acaso, de toda essa experiência.
Se tivesse de escolher um filme que melhor ilustra porque é que faz filmes atualmente, que filme escolheria?
“2001: Uma Odisseia no Espaço”. Tenho a dizer no entanto que o primeiro filme que realmente me impressionou foi “Eraserhead” aos 14 ou 15 anos.
O filme de David Lynch.
Sim.
Ouvimos dizer que o seu próximo filme vai ser baseado num argumento de Bret Easton Ellis, com Ryan Gosling a encabeçar o elenco. Pode partilhar mais detalhes sobre este projeto?
Não não. O Ryan Gosling já não está associado a este projeto. E tenho ainda um outro projeto antes. Um argumento original.
Não é o “remake” de “God Told Me To”?
Não. As pessoas leem muita informação que não é verdadeira, hoje em dia. Informação que aparece no Twitter ou num blog, e que depois é facilmente espalhada.
Pode-se saber do que se trata?
É um filme sentimental. Uma história de amor.
Uma história de amor?
Sim, mas com contornos eróticos.

