Ele canta, dança, faz desporto e mostra em «Puro Aço» que sabe usar os punhos. Treinou boxe a sério com Sugar Ray Leonard, apesar de o pai ter sido um campeão no seu tempo. Falámos com em Londres com este actor de sotaque australiano carregado. Ainda mais descontraído do que parece ser.
O que o atraiu mais para aceitar este projecto?
Sou grande fã de filmes de desporto. Sempre gostei da série «Rocky». Vi-os todos quando era mais novo, mas também «Momentos de Glória» e outros. Aprecio bastante o género. Quando li o guião seduziu-me o lado humano desta história.
Acha que este é mais um filme de acção ou de família?
Humm, boa pergunta. Diria que é mais um filme de família, mas com muita acção. No fundo tem esse elemento spielberguiano (Steven Spielberg é produtor executivo) que atrai diferentes públicos. É um filme espectacular com muitos efeitos especiais, mas a dimensão humana continua a dominar. Nesse sentido, acho que é mais Rocky do que Transformers… (risos)
Considera-se um fã de comic books?
Nem por isso. Fiz o Wolvwerine, mas não posso dizer que seja entusiasta por comic books. Há muito bons filmes feitos inspirados nesse universo. Mas não vou ver o filme só porque é baseado num comic book…
… Ou um filme de robots…
Ou um filme de robots. Adoro o Wall E, o primeiro Exterminador Implacável, gosto muito de Puro Aço, ainda que não seja o género que me leva mais vezes ao cinema.
Tem um filho com de dez anos com uma idade semelhante ao do miúdo no filme (Dakota Goyo), Como é que ele vê o pai no ecrã? É muito crítico?
Não, fica um pouco embaraçado. Há todo o elemento de invasão de privacidade de que os procuro proteger, mas também os compromissos que tenho de assumir. Não sei se há um lado que diz “oh, não, que figura idiota!” e outro em que quer apenas que seja o pai deles. Não gosta muito quando me abordam para me cumprimentar, com a excepção de quando são raparigas bonitas…
Calculo que não seja um embaraço dizer aos amigos que o sei pai é o Wolverine…
Sabe, ele nunca fala comigo sobre isso. Também ainda não o deixei ver o filme. Acho que tem tempo para isso. Mas já o ouvir dizer isso numa praia a uma rapariga… Por isso, de certa forma, terá alguma admiração, mas nunca fala disso.
Até que ponto é importante para si, enquanto actor, fazer este filme?
É um filme que coloca alguns desafios. O meu desafio e do Shawn (Levy, o realizador) foi o de fazer um filme que pudesse cativar o seu público. Esse foi um balanço delicado. Por um lado, aqueles que gostaram de Wolverine irão gostar. Em to o ocaso, não é um filme de acção, é um pouco mais naturalista.
Não receia que este tipo de filmes possa tornar um pouco estereotipada a sua carreira?
Não, eu dou graças a poder trabalhar. Eu sei que não tenho o mesmo poder de escolha que o Brad Pitt, o George Clooney ou o Will Smith. Mas estou a trabalhar. Não vale a pena escondê-lo.
Tem ainda alguns desejos por concretizar?
Um dos desejos que mais queria concretizar era participar num musical. Mas vou concretizá-lo já o ano que vem, pois vou ser o Jean Valjean, em Les Mirérables, do Tom Hooper. O Russell Crowe será Javert.
A Anne Hathaway já está confirmada? (na altura da entrevista ainda não havia a confirmação da presença da actriz)
Ainda não sei se é correcto dizer isso.
Sente-se intimidado por assumir esse papel?
Não. Mas pedi ao meu agente para fazer uma audição, embora sabe-se no meu íntimo de que era capaz. Tive uma audição de três horas com o Tom Hooper, que foi genial.
É verdade que o seu pai foi também boxeur, uma espécie de lenda até?
Sim, é verdade. Mas ele era muito modesto. Eu sabia que ele tinha sido campeão de boxe no seu tempo, mas nunca nos falou disso.

