Adam Bessa e “Os Fantasmas”: “é impressionante o que as pessoas conseguem dizer sem recorrer às palavras”

Nos cinemas a 15 de maio

Vencedor do prémio de interpretação na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2022, o franco-tunisino Adam Bessa ganhou um forte impulso para a sua carreira na atuação. O jovem ator, que já tinha participado no sucesso da Netflix “Extraction” (Tyler Rake: Operação de Resgate) quando falámos pela primeira vez com ele, já tinha demonstrado uma calma desarmante na nossa primeira entrevista, a propósito do filme “Harka”. Três anos se passaram e Adam, em vésperas de  trabalhar no novo filme de Asghar Farhadi, ao lado de Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel e Pierre Niney, voltou a sentar-se à mesa, desta vez para nos falar de “Os Fantasmas”, filme onde faz o papel de um refugiado Sírio que, na Europa, persegue o homem que o torturou durante a guerra. 

Foi duro, mas quando li o guião achei a história tão intensa que não resisti”, disse-nos Adam em Paris, no passado mês de janeiro. “Gosto de filmes de espionagem e o filme tinha muito esse feeling”, sublinha.

Reconhecendo que foi muito agradável e fácil trabalhar com o realizador Jonathan Millet, Adam diz que o guião era muito preciso naquilo que se pretendia dele, mas que ainda assim havia espaço para dar uma vida muito própria à sua personagem. “O mais interessante no papel era a obrigação de mostrar muitas emoções e sensações sem palavras. E é impressionante o que as pessoas conseguem dizer sem recorrer às palavras. Por um gesto, por um olhar. Trabalhei muito para reproduzir isso e foi um grande desafio. Isto é cinema, ou seja, a imagem e o som que substitui a palavra. O meu cinema é o da imagem e adoro quando um ator se torna, também ele, uma imagem. É esse cinema que prefiro fazer. Quanto mais falamos num filme, mais entramos numa cultura particular. Quanto menos falarmos, mais universal ele se torna. É importante ver alguém de outro continente a sentir a mesma emoção que eu sinto (…) O Jonathan partilhou comigo muita da pesquisa que fez sobre o tema do filme. Sou alguém que estuda bem os papéis que vai interpretar. É importante olhar para alguém que está longe de ti e ires te aproximando dele. Exige tempo para habituarmo-nos à realidade da personagem que interpretamos. Há que fazer questões, pensar, entrar neles”. 

Comparando o seu trabalho de ator, repleto de disciplina e rigor, ao de um atleta de alta competição, Adam relembra que este “Os Fantasmas” é uma produção bem diferente de “Extraction” e da sua sequela. Porém, ele diz para a sua vida quer “navegar entre esses dois mundos”, que entende serem complementares. ”Aprendo com os dois mundos, o mais mainstream e o mais de autor. O Extraction é uma grande produção de ação, com quatro ou cinco câmaras. É um trabalho muito exigente do ponto de vista técnico. Fazer algo como o ”Os Fantasmas” ajuda-me a entrar nestas produções maiores e o inverso também acontece.

Admitindo que são os atores anglo-saxónicos que mais despertam o seu interesse e que poderá voltar à sua Tunísia natal para filmar, o jovem atribui à sua intuição as suas escolhas de carreira, dando primazia aos projetos em que o realizador, a personagem e o guião o fascinam. 

E quando questionado (ou provocado) com qual seria o próximo festival de cinema em que poderíamos ver um novo projeto seu, ele avisa: “Talvez Veneza. Tenho um filme chamado ‘La Source’ e vamos ver se estreia lá”.

Os Fantasmas” estreia esta semana nas salas nacionais.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/1sgs