Fantasporto 2012: Entrevista a Juan Martínez Moreno, o (realizador, «Lobos de Arga»

(Fotos: Divulgação)

Sitges 2011 vibrou com «Lobos de Arga», uma comédia de terror passada na Galiza com lobisomens realistas e em grande forma. Agora, o filme que marca o regresso à realização de Juan Martínez Moreno, o mesmo de «Un Buen Hombre», chega ao Fantasporto.

Nele estamos em 1896, na pequena povoação de Arga na Galiza, onde uma maldição terrível converte Molinera num lobisomem. Passados cem anos, Tomás – o último descendente de Molinero – é um fracasso escritor que regressa à sua terra natal para ser alvo de uma despropositada homenagem. Depressa ele percebe porquê: os locais acreditam que o tem de sacrificar para evitar que se cumpra a maldição que diz que 100 anos depois surgiria um homem-lobo.

O c7nema falou com Juan Martínez Moreno na antecipação da estreia nacional do seu projeto, que chegará aos cinemas espanhóis no início de março. Entrevista conduzida por José Pedro Lopes.

Que pode o público do Fantasporto esperar de «Lobos de Arga»?

Uma montanha russa. Um grande entretenimento que mistura géneros: comédia, terror, ação e aventura. Não é uma piada nem uma paródia! Este filme foi feito com um amor e respeito total pelo terror, somos grandes fãs.

O filme é uma homenagem a grandes filmes dos anos 80 como «An American Werewolf in London», «The Howling» e «Wolfen». O design das criaturas é baseado nas maquilhagens do Rick Baker (do citado «American Werewolf…» e do recente ‘remake’ de «Wolfman»). Não há transformações digitais no nosso filme, é tudo real. 

O fantástico espanhol tem vindo a crescer desde os anos 90 – agora Espanha é uma das fontes mais criativas de terror e ficção científica. Que está na origem disto?

Não sei bem. Talvez porque o público espanhol gosta muito de terror e fantasia. O cinema, antes de ser arte, tem de ser entretenimento. E o terror é sempre um grande entretenimento, o público adora-o.

Existe uma geração de realizadores como o Alex De La Iglesia (vencedor do Melies D’Or em 2011 com «Balada Triste de Trompeta») e o Jaume Balagueró («REC») com muito talento e visão que renovaram os velhos clichés.

O filme foi muito em recebido em Sitges. Esperavas que o público delirasse assim?

Na realidade, não. Foi a premiére mundial, nunca ninguém o tinha visto. E mais, o público de Sitges é sempre muito exigente, por isso tínhamos receio da sua reação a esta mistura de género. Mas foi incrível! As pessoas riram-se, gritaram e bateram palmas umas vinte vezes durante o filme! Nem em sonhos imaginava que o filme fosse funcionar tão bem.

De onde veio a ideia de fazer um história de lobisomens na Galiza?

Esta região de Espanha sempre teve uma forte tradição de magia, com coisas como “as meigas”. O clima e os cenários exteriores lá também eram exatamente o que precisávamos.  E não devemos esquecer que o primeiro “lobisomem” foi descoberto lá, no principio do século XX!

Vais estar presente no Fantasporto?

Sim, vou estar presente com os dois protagonistas do filme. É a minha primeira ida ao Porto, já fui muitas vezes a Lisboa. Também já fui à Praia da Rocha, há muitos anos com a minha primeira curta (no extinto FICA) onde ganhei o meu primeiro prémio. Só boas memórias do vosso país.

Tens algum novo projeto?

Tenho vários argumentos em desenvolvimento, mas ainda é cedo para falar de algum.

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