O C7nema foi quase uma estreia minha nas e-zines culturais. Já tinha feito alguns textos para a DVDMANIA e o extinto 7ª Arte, mas foi aqui que comecei a escrever de forma mais consolidada sobre cinema. Estava ainda no terceiro ano da universidade e lembro-me do Jorge Pereira (fundador e diretor) me dizer: “Jornalismo? Tenho boas notícias para ti. Quem passa por aqui arranja logo trabalho na área. É certinho!”. Achei piada a essa tradição meio profética, até porque, na altura (e hoje e sempre) era uma das áreas com menor empregabilidade do país. E de facto, pouco tempo depois de acabar o curso e enquanto ainda escrevia textos para o C7nema, estava a trabalhar num diário nacional centenário.
O jornalismo foi-me roubando tempo a essa colaboração, mas o Jorge deixou-me sempre aberta a porta para escrever lá. E fui escrevendo, embora de uma forma muito espaçada.
Há alguns dias, no decurso de uma conversa, disse-me que gostava de contar com a minha colaboração numa rubrica qualquer e deu-me liberdade para a decidir. Achei o desafio interessante e comecei a ver o que podia fazer. Critica de cinema estava fora de questão. Após anos a fazê-lo profissionalmente, seja no Primeiro de Janeiro, no Das Artes das Letras ou no SETE, há muito que deixei de ter qualquer prazer ou paciência para dissecar filmes com bisturis e reduzir os seus âmagos e a sua essência a conjuntos de estrelinhas. Especiais temáticos ou biográficos? Também já fiz isso. E há muita gente a fazê-lo. Desejava fazer algo fresco, criativo, inédito ou, pelo menos, invulgar. Enquanto organizava a minha filmoteca digital, fez-se luz.
E que tal uma crónica, não sobre cinema, mas sobre a influência do cinema nas nossas vidas? Um conjunto de retratos pessoais que espelham a nostalgia dos momentos vividos na companhia dos filmes. Ou os momentos vivenciados com a inspiração de filmes? Viagens, planos com amigos, brincadeiras de infância, situações caricatas… “parece-me haver matéria-prima em abundância”, pensei.
Decidi chamar-lhe: Os Meus Filmes Davam Uma Vida
Dificilmente vão encontrar aqui Orson Welles, Bergman, Kurosawa, Fellini, Lynch, Godard, Antonioni, Bertolucci ou tantos outros cineastas que ao longo dos anos me instruíram sobre a arte e a estética do cinema. Contem antes com filmes de aventureiros de chapéu e chicote, corridas do ouro no velho Oeste, casas assombradas, Índios e cowboys, ninjas, Goonies e muitas outras projeções ou cassetes VHS que nos cativaram nos anos 80 e 90.
Quer dizer, se calhar o Bertolucci sim, por causa do “Um Chá no Deserto” e as minhas viagens no Sahara. E talvez o Tarkovsky por causa do “Stalker” e o meu fascínio por um dia visitar Chernobil e Pripyat. Enfim, tudo é possível!

