Ethan Hawke e os “tempos petrificantes para se falar da sexualidade masculina”

(Fotos: Divulgação)

Numa entrevista ao The Guardian, por ocasião do lançamento do seu terceiro livro, “A Bright Ray of Darkness”, o ator Ethan Hawk disse que estes são “tempos petrificantes para se falar da sexualidade masculina”, mas que se não pudermos “iluminar certos cantos sombrios, os demónios que vivem neles nunca desaparecerão”.

A Bright Ray of Darkness” está estruturado em torno de uma encenação de Henrique IV, parte 1. O narrador do livro, William Harding, é uma estrela de cinema alcoólica e busca superar um período de turbulência pessoal mergulhando no papel de Henry Percy.  Segundo o The Guardian, o livro descreve regularmente e com franqueza o sexo, notando-se ainda que o protagonista tem um relacionamento com uma mulher muito mais jovem.

À luz da cultura do cancelamento e da vergonha – embora muito do que está a acontecer seja bastante útil –  estamos num momento difícil de dizer: ‘Quero ser aberto sobre as idiossincrasias da sexualidade humana.‘”, disse Hawke, que lançou em 1996 a sua primeira experiência na escrita “O Estado Mais Quente”, e em 2002 “Quarta-Feira de Cinzas”. “Que diz aquela bela passagem de Mark Twain?:’O objetivo da arte é aliviar a vergonha.’ Estamos neste período agora em que não podes escrever sobre maus comportamentos, porque podes parecer tolerante com isso. Tens que ser capaz de criar uma personagem que faz coisas que gostaria que não fizesse”.

Hawke, que escreveu também alguns argumentos para cinema – como por exemplo “Antes da Meia-Noite” e “Antes do Anoitecer” – mostrou ainda na entrevista respeitar o criticismo: “Posso aceitar críticas negativas como escritor, porque se os críticos não gostaram, na verdade eles simplesmente não apreciam a maneira como o meu cérebro funciona, e estou bem com isso. Conheço pessoas em restaurantes que me odeiam. E 70 milhões de pessoas votaram em Trump. Não há contabilidade para o gosto.

Entre os filmes do ator que este ano ainda vamos ver no cinema conta-se “Tesla”, onde interpreta o papel do inventor, físico e engenheiro elétrico sérvio no campo da engenharia mecânica e electrotécnica que se tornou cidadão norte-americano.

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