A dobragem dos filmes, ou “dublagem“ como os brasileiros dizem, é um negócio de milhões em vários territórios, mas poderá a curto prazo sofrer grandes alterações no seu processo de construção e tecido laboral já que uma startup israelita diz que conseguirá a curto prazo apresentar uma tecnologia que a partir das vozes dos atores originais poderá reproduzi-las em qualquer língua. Assim, o conceito apresentado é que a partir de apenas alguns samples de voz, a empresa consegue reproduzir a voz de qualquer ator noutro idioma, deixando para isso de serem contratados atores específicos em cada território para o trabalho.
O debate ganhou foco quando a empresa israelita fez as manchetes dos jornais depois de um antigo responsável da WarnerMedia, Kevin Reilly, aderir a ela, afirmando que essa tecnologia permite a dobragem de filmes, programas de televisão e videojogos mantendo os traços originais vocais dos atores. Iremos assim, a curto prazo, certamente ouvir Morgan Freeman a falar uma qualquer outra língua, como o português.
“A tecnologia é baseada na aprendizagem profunda e em inteligência artificial baseada em redes neurais”, disse Oz Krakowski, diretor de marketing da deepdub, à IndieWire. “Basicamente, você entrega uma faixa de áudio de vídeo, filme ou série. Idealmente, a voz nessa faixa de áudio é isolada. (…) A máquina de aprendizagem profunda aprende os traços da voz, como o tom, o timbre, a velocidade, o espaçamento e a entoação das palavras. O programa aprende, regista e pode então aplicar a novas vozes. Podemos pegar numa voz e adicionar ou tirar um sotaque ou alterá-la para dar-lhe emoções ou fazê-la soar mais jovem ou mais velha. Isso dá-nos a capacidade de ter uma voz e aplicá-la a um idioma diferente. ”
Apesar de em Portugal a dobragem ser na sua grande maioria aplicada apenas a filmes e séries de animação, noutros países como o Brasil, Espanha e até França ela é comum no cinema e tv em imagem real, deixando no ar a hipótese do mercado nesses territórios sofrer grandes transformações.

