Morreu o diretor de fotografia Franz Rath, colaborador frequente de Volker Schlöndorff e Margarethe Von Trotta

(Fotos: Divulgação)

Morreu aos 88 anos o diretor de fotografia Franz Rath, famoso pelas suas colaborações com cineastas como Volker Schlöndorff e Margarethe Von Trotta. A notícia foi avançada pela Sociedade Alemã de Diretores de Fotografia, que acrescentou que o óbito de Rath ocorreu a 26 de dezembro de 2020, em Graefelfing, na Alemanha.

Nascido a 22 de junho de 1932, em Eltville, Rath começou como assistente de câmara no início da década de 1950 e teve como primeiro trabalho “Der gehorsame Rebell“, documentário biográfico  sobre o  monge agostiniano Martinho Lutero . A partir de 1957, a TV foi o seu principal meio de trabalho, tendo a primeira experiência no cinema com “O Jovem Törless” (1966), de Volker Schlöndorff, repetindo a colaboração em “Mord und Totschlag” (1967). Ganhou o prémio de melhor fotografia por este filme nos prémios alemães de cinema, mas ocuparia grande parte do seu tempo nos anos seguintes em projetos televisivos.

Em 1978 ganhou novo fôlego, ao iniciar uma parceria de oito filmes com Margarethe von Trotta – iniciada com “O segundo despertar de Christa Klages” (1978), e continuada com “As Irmãs” (1979), “Anos de Chumbo” (1981) e “Rosa Luxemburg” (1986). Pelo meio, ainda trabalhou com Kurt Gloor em vários filmes (como em “Der Erfinder“, protagonizado por Bruno Ganz), mas seria com Trotta – em particular com”Das Versprechen – A Promessa” (1994) – que chamaria novamente a atenção, sendo premiado nos German Camera Awards (Deutsche Kamerapreis) – que em 2003 celebraram o diretor de fotografia pelo conjunto da sua obra.

Franz Rath foi um dos diretores de fotografia mais importantes da Alemanha, cuja cinematografia definiu inúmeros filmes de grande valor artístico e histórico. Ele ajudou a moldar a história do cinema alemão e a BVK – Sociedade Alemã de Diretores de Fotografia durante décadas. Sempre leal aos seus parceiros artísticos, conseguiu não só motivar a sua equipa e todos os envolvidos no set com o pudor e integridade pessoal como DoP, mas também garantir o seu bem-estar e um tratamento justo. A solidariedade profissional e humana moldou o estilo de trabalho de Franz Rath. Estava politicamente bem acordado e deu-se ao luxo de várias vezes rejeitar filmes que não correspondessem ao seu carácter humanístico e social. O seu trabalho é prova disso. O mainstream raso e acrítico não era do seu agrado“, disse a Sociedade Alemã de Diretores de Fotografia.

Últimas