Adeus guerreiro: morreu o ator e realizador Robert Hossein (1927-2020)

(Fotos: Divulgação)

Morreu “esta manhã no hospital“, após “um problema respiratório“, aos 93 anos, o ator Robert Hossein, nome forte do teatro francês que teve igualmente uma presença marcante na 7ª arte.

Nascido Abraham Hosseinoff, a 30 de dezembro de 1927, em Paris, filho de pai iraniano e mãe russa, Robert Hossein cresceu na pobreza e decidiu, depois da guerra, aos 15 anos, dedicar-se à artes dramáticas.

Revelado nos palcos teatrais, foi no cinema que Robert Hossein se tornou famoso. A sua primeira aparição foi na forma de figuração, em 1948, em “Um Homem Diabólico” (1948) de Sacha Guitry. Apesar de algumas presenças no grande ecrã nos anos que se seguiram, incluindo em “Rififi” (1955), como vilão, foi na década de 1960 que se destacou, não só por desempenhar o papel de Jeoffrey de Peyrac na franquia, que gerou cinco filmes, “Angélica, Marquesa dos Anjos” (1964), mas por assinar como realizador 8 obras, entre elas “Olhos na escuridão” (1964) e “O Vampiro de Dusseldorf” (1965). Este último era igualmente protagonizado por si como o famoso assassino sádico Peter Kuerten – que serviu de inspiração a “M” de Fritz Lang – que na década de 1920 atacava mulheres em Dusseldorf e adorava contar os detalhes dos seus crimes à polícia.

O Vampiro de Dusseldorf

Como ator, tornou-se habitué nos filmes de Roger Vadim (incluindo em “O Repouso do Guerreiro“, 1962, ao lado de Brigitte Bardot), isto depois de colaborar com ele em “Uma Aventura em Veneza” (1957). “Que o meu maravilhoso guerreiro descanse em paz“, escreveu Bardot no Twitter sobre a morte de Hossein.

Com mais de cem créditos como ator, Hossein trabalhou ainda com cineastas como Denys de La Patellière (O Trovão, 1965); Marguerite Duras (La Musica, 1967); Sergio Leone (Aconteceu no Oeste, 1968); Henri Verneuil (O Golpe, 1971); Claude Lelouch (Uns e… os Outros, 1981; Um Homem e Uma Mulher: 20 Anos Depois, 1986; Os Miseráveis, 1995);  Georges Lautner (O Profissional, 1991); e até Sophie Marceau, na sua segunda obra como realizadora (La disparue de Deauville, 2007).

Responsável por duas dezenas de obras como realizador, entre elas “Noite dos Espiões“, que teve estreia no Festival de Veneza em 1959, e vários telefilmes depois dos anos 90, Hossein manteve sempre a sua ligação ao teatro, tornando-se um dos maiores nomes gauleses nesta arte. “Foi ator, escritor, realizador/encenador, o príncipe do teatro popular, os seus sucessos não se contam, tinha um sorriso encantador, um olhar de veludo, uma bela voz: que trunfo para um homem que tinha o charme de Robert HOSSEIN – era normal, já que era ele!“, disse no Twitter o antigo presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob.

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