Um estudo encomendado pelo Festival de Berlim ao Instituto Leibniz de História Contemporânea confirmou as alegações do jornal alemão Die Zeit no início do ano, que apontavam que Alfred Bauer – fundador e diretor da Berlinale de 1951 a 1976 – teve um forte papel na Reichsfilmintendanz, uma instituição de propaganda criada por Joseph Goebbels que controlava a produção de filmes no regime nazi.
O estudo revelou ainda que Bauer também se juntou a várias organizações nacional-socialistas em 1933 e tornou-se membro do NSDAP em 1937, e que durante o seu processo de “desnazificação”, de 1945 a 1947, Bauer tentou ocultar o seu papel no regime através “de afirmações deliberadamente falsas, meias-verdades e reivindicações, construindo uma imagem com a qual se apresentou como adversário do regime nazi”“.
Num comunicado, a directora executiva da Berlinale, Mariette Rissenbeek, descreveu as descobertas como “surpreendentes“, acrescentando que elas “constituem um elemento importante no processo de lidar com o passado nazi das instituições culturais que foram fundadas após 1945“.
Recorde-se que após da morte de Bauer em 1986, o festival criou o Prémio Alfred Bauer para reconhecer filmes que “abrem novas perspectivas na arte cinematográfica“. Entres os galardoados com esse prémio ao longo dos anos encontramos obras de Zhang Yimou, Baz Luhrmann, Alain Resnais, Tsai Ming-liang e Miguel Gomes, com “Tabu“.
Já este ano o prémio viu o seu nome alterado para Urso de Prata – Prémio do Júri, tendo sido vencedor esta temporada a comédia francesa “Delete History“, de Benoît Delépine e Gustave Kervern.

