Contos de Quarentena: quando o confinamento inspira realizadores

A pandemia pode ser uma oportunidade e existem cineastas dispostos a provar isso.

(Fotos: Divulgação)

A Rússia tem sido um dos países mais fustigados com a pandemia do COVID-19, contando até à data com mais de 135 mil casos confirmados e um severo confinamento imposto pelo governo. Isolamento esse que serviu de inspiração para o consagrado cineasta russo Andrey Konchalovsky (Tango e Cash, Casa de Loucos, Paraíso).

O realizador prepara um documentário sobre as rotinas geradas pela quarentena, e para isso conta com a contribuição de inúmeros cidadãos russos. “Muitos de nós acabamos por criar ilhas, e isso é interessante“, revelou Konchalovsky à Agence France Presse. O projeto, por enquanto intitulado de Quarantine Russian Style, tem tido o processo divulgado na conta de Facebook do realizador, que solicita aos seguidores testemunhos reais: “Peguem nos vossos smartphones, filmem as vossas novas rotinas, o lugar predileto na vossa casa, ou até o vosso teletrabalho. E vamos fazer filmes!

Para além, Konchalovsky, o seu conterrâneo Timur Bekmambetov (Guardiões da Noite, Procurados) também têm-se inspirado nesta “nova normalidade” para produzir. Também solicitando vídeos de outros, sob a vertente de serem ou não ficcionais, o realizador aposta num formato de websérie que tem como título Tales from Quarantine. O primeiro episódio – Telecommuting – conta com atores profissionais em conferência digital. “Hoje em dia, vivemos cada vez mais através dos nossos ecrãs: apaixonamos, zangamos, onde descobrimos e perdemos trabalho e compreendemos o que somos (…) o cinema tradicional estagnou nesta crise, está obsoleto“, disse o cineasta.

Petra Costa

Fora do território russo, outra cineasta tem encontrado no COVID-19 uma temática a ser explorada no audiovisual. A brasileira Petra Costa (Elena, Democracia em Vertigem) revelou há semanas um projeto intitulado de Dystopia.

Ao C7nema, a realizadora afirmou que o projeto “surgiu desse desejo de retratar um momento histórico que nós estamos vivendo, e tendo essa quarentena ampliada o que temos pedido às pessoas é registar as suas experiências na pandemia, quer no Brasil, quer no resto do Mundo. O nosso desejo é criar um mosaico de emoções dessa pandemia, ou pandemónio como quiserem chamar. Em que as desigualdades e as contradições da nossa sociedade fiquem escancaradas. Para além disso, temos algum material filmado por nós mesmos, que tem sido bem fortes.”

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