A realizadora conhecida pelo slasher de culto Rasganço expôs a sua indignação nas redes sociais pela recusa do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) em financiar um projeto seu
Foi no Facebook que Raquel Freire mostrou a sua revolta quanto à recusa de apoio por parte do ICA para uma ficção da sua autoria, revelando ainda que a ata proveniente da instituição adjetivou o seu argumento como “populista“. Segundo a realizadora, as suas “personagens não são todas umas betas ou umas coitadinhas”, e por tal devem ter desagradado à instituição.
Freire sublinha que esse mesmo argumento ganhou um prémio em França, mas que não o pôde filmar porque não tinha o apoio do seu país de origem: “Sou boa para a França onde tenho de competir com 300 colegas franceses e ganho, mas em Portugal temos júris ignorantes que preferem valorizar o nacionalismo de mais um colega meu, com mais um filme sobre mais um rei.“
A realizadora termina a publicação com um desafio e um olhar de esperança sobre a direção do seu projeto, sobre o qual não adianta pormenores, mas cujos temas afirma estudar há muitos anos: “…dou aulas em universidades no estrangeiro, escrevi livros, só filmar no meu país é que não consigo. O meu filme documentário Mulheres do Meu País não teve apoio do ICA. Teve um apoio muito menor. Cinema não é fácil, não é juntar uns planos. Cinema é olhar e ver, é ter ponto de vista, é saber ouvir, é construir pensamento crítico, é criar com imagens, sons, ideias, emoções, sentimentos, silêncios, vazios, novas formas de viver, amar, ser feliz, cinema é criar em conjunto com outras pessoas que respeitamos. A montagem é dos momentos mais difíceis para mim. Ter uma montadora como a Rita Pestana que já montou a longa-metragem Mulheres do Nosso País e agora está comigo de novo a montar o último da trilogia das mulheres, é uma honra. Há pessoas a fazer e pensar cinema neste país, apesar de tudo. Não estou sozinha. Há esperança.”
Baseado num livro de Maria Lamas, o seu novo filme da trilogia das Mulheres do Nosso País conta com a presença da rapper Mynda Guevara.

