A realizadora de filmes como Bando de Raparigas critica o mundo do cinema, que considera misógino

Numa entrevista ao Screen Daily, a realizadora Céline Sciamma (Bando de Raparigas) afirmou que “o cinema é um mundo muito misógino“, que “o mundo da crítica é dominado por homens” e que às vezes é possível “sentir o sexismo nas análises” aos filmes.
Quando questionada pela publicação se sentiu isso em relação ao seu último projeto, Portrait de la jeune fille en feu, Sciamma disse que sim, acrescentando: “Ninguém te leva a sério, mas acho que é assim porque na verdade levam-te muito a sério.” Desenvolvendo o tema, a realizadora exortou que é a insegurança de um grupo de pessoas dentro da própria indústria que mantém as mulheres à margem.
Os festivais de cinema também não sairam incólumes nas suas palavras, com Sciamma a explicar que ajudou a organizar o protesto contra a desigualdade de género no Festival de Cannes de 2018. “Estamos a lutar. Sou uma das fundadoras do movimento 50/50, que organizou a subida da escadaria [no Palais des Festivals]”. Segundo ela, este movimento não deve ser tratado como uma campanha simbólica, digna apenas de ser “a última pergunta [dos jornalistas] numa conferência de imprensa“.
Recordamos que em Portrait de la jeune fille en feu (Portrait of a Lady on Fire) estamos no século XVIII e acompanhamos a jovem pintora Marianne (Noémie Merlant), que é contratada para fazer o retrato de casamento de Héloïse (Adèle Haenel) sem que ela saiba. Entre as duas vai nascer uma relação bem diferente à que todos imaginariam.

