Pinóquio atiça o apetite cinéfilo pela fantasia de Matteo Garrone

(Fotos: Divulgação)

O filme tem a sua estreia marcada para o final do ano


© Greta De Lazzaris

Corre em Marrocos o boato de que o produtor de O Último Imperador (Oscar de melhor filme em 1988), o londrino Jeremy Thomas, vai integrar a equipa de jurados da Berlinale 2020 (20 de fevereiro a 1º de março), a fim de implementar um tom mais popular no evento germânico, que ainda não anunciou as suas atrações. Esse boato começou a correr em África nesta manhã, na espera do 18º Festival de Marrakech por Thomas, convidado para falar sobre parte dos 60 títulos que produziu de 1976 para cá, incluindo a esperadíssima versão do italiano Matteo Garrone para Pinóquio.

 A estreia será no dia 19 de dezembro nos ecrãs italianos, de olho nas plateias natalicias. O orçamento está estimado em € 14,7 milhões. Realizador aclamado internacionalmente por Gomorra (2008), Reality (2012) e Dogman (2018), Garrone uniu-se a uma produtora que viabilizou filmes de culto de Jerzy Skolimowski, David Cronenberg, Bernardo Bertolucci e, recentemente, Takashi Miike, de olho num diálogo com outras plateias: as crianças. Apoiado em efeitos especiais incomuns para o padrão do cinema europeu, o realizador convocou Federico Ielapi para viver o boneco de madeira que sonha ser um menino de verdade – graças a um tipo de CGI e efeitos visuais variados. Para o papel do seu “pai”, Geppetto, foi convocado o ator e realizador vencedorde duas estatuetas de Hollywood, Roberto Benigni (A vida é bela). Ele encarnou o personagem numa versão desengonçada que rodou em 2002 e que quase levou-o à bancarrota. Marine Vacth entra em cena como Fada.

Transitar entre thrillers sociais e fantasias é uma tradição de grandes realizadores do meu país, como Pasolini, por exemplo, que alternava narrativas realistas como Accatone com mergulhos em mitologias distintas. Ao lago de Pocilga e Teorema, ele adaptou a “Bíblia” em “Evangelho Segundo São Mateus” e filmou “As 1001 Noites” como uma produção de sucesso“, disse Garrone ao C7nema, quando fez O conto dos contos, com um orçamento de cerca de 12 milhões de dólares. “Ao fazer ‘Dogman’, arrisquei um faroeste contemporâneo de tom intimista, pequenino. Mas há outras ideias“.

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Marraquexe aposta que Pinóquio possa a ser um dos maiores fenômenos populares do Velho Mundo na viragem do ano, dada a forte campanha de marketing para promover o filme. Jeremy ainda tem, em paralelo, o thriller First love, de Miike, que foi uma sensação da Quinzena dos Realizadores de Cannes e vem sendo considerado por muitos o melhor filme de Miike em anos. Na semana que vem, a longa-metragem do artesão japonês vai ser exibido no Brasil, na grade do Festival do Rio, agendado de 9 a 19 de dezembro.

Neste sábado, o Festival de Marraquexe chega ao fim, com a entrega dos prémios pelo júri presidido por Tilda Swinton. Babyteeth, de Shannon Murphy, produção vinda da Austrália, é o favorito a prémios até agora. Mas, na quinta-feira, A Febre, da carioca Maya Da-Rin, passa por aqui com o fôlego para mudar o placar. Nele, a cineasta narra os dilemas do índio Justino (Regis Myrupu) diante da aparição de um misterioso animal na sua vizinhança e diante de uma moléstia que altera as CNTP de seu corpo.

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